Adorno tem sido uma das referências centrais no curso de Literatura e Educação da USP, principalmente porque ele defende a importância da educação no mundo pós-Auschwitz e a emancipação do indivíduo pelo conhecimento. A sua conclusão principal é a necessidade de mais razão, e não menos, para que situações análogas às vividas na Segunda Guerra Mundial não se repitam na história da humanidade.
A referência a Adorno e a toda Escola de Frankfurt como espinha dorsal do curso pode apontar para uma interpretação equivocada de educação. Primeiramente, porque a Escola de Frankfurt pressupõe uma espécie de passividade e acriticidade do indivíduo frente às estruturas sociais. Esse ponto pode ser suavizado pela argumentação de Adorno com relação à necessidade de emancipação do indivíduo por meio da educação, mas não anula a noção de que somente uma educação formal pode levar à isso. O sociólogo, dessa forma, ressalta a importância da educação sem apresentar um método eficaz ou estratégias a serem colocadas em prática. Nesse sentido, acho problemático uma disciplina de licencatura tomar somente seus textos como referência teórica, reforçando o papel do professor mas não dando ferramentas para que seu trabalho seja desempenhado.
No entanto, a principal questão que me incomodou nas leituras de Adorno é a possibilidade de interpretar a posição do professor como sendo a fonte de conhecimento, e não um mediador. Fica implicado que o professor possui uma capacidade iluminadora e emancipadora em relação aos seus alunos, o que sempre me pareceu uma postura intelectual que na verdade os distancia. Em outras palavras, a leitura deixa margem para pessoas despreparadas interpretarem a função do professor como aquela pessoa que possui todo o conhecimento a ser transmitido aos alunos, eliminando o aspecto dialógico dessa experiência e a forma como os alunos contribuem com o professor e com as aulas.
Talvez seja necessário rever a forma como são abordados determinados conteúdos no currículo das disciplinas de licenciatura, para que elas não sejam apenas um emaranhado de referências teóricas consagradas, Adorno incluído, e se transformem em espaços de discussão um pouco mais voltados para prática. Essa, a meu ver, parece ser a grande esfinge a ser decifrada pelos atuais alunos, futuros professores. Afinal, que professor recém-formado sabe exatamente se a forma como ele aborda os conteúdos é a mais eficaz ou aquela que melhor contribui para a formação de seus alunos?
Existe a possibilidade que a reflexão apresentada aqui não leve a nada e seja só paranóia da minha cabeça.
Vai saber...
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Questões práticas sobre didática
Outro dia, na aula de Fonética, os alunos começaram a perguntar para professora coisas como:
1) Como posso aplicar em sala de aula os conhecimentos de fonética e fonologia, morfologia e sintaxe que são apresentados na faculdade? Ou seja, para que serve saber de Linguística no cotidiano do professor?
2) De que forma o conhecimento linguístico pode ser transmitido aos alunos? Como ensinar sintaxe e escrita usando as diferentes visões de linguagem e descrições da língua (gramática normativa, gramática de usos, gramática descritiva, gramática funcionalista, gramática sistêmico-funcional, etc.)?
Como o assunto dá pano para manga, ainda mais na USP que não tem um departamento de Linguística Aplicada, as respostas não foram satisfatórias e todos entraram em um consenso de que deveria haver uma disciplina que ensinasse o que fazer com os conhecimentos linguisticos e o ensino de português, ou mesmo qualquer outra língua estrangeira. Também tocamos no assunto de que tais coisas deveriam ser discutidas na aula de Didática, mas que o atual programa dessa disciplina dá conta, apenas, de informar as diferentes linhas teóricas sobre ensino.
Fiquei pensando cá com os meus botões que, se essas questões fossem fáceis de ser resolvidas, ninguém estaria depois fazendo mestrado e doutorado, tentando resolver as mesmas dificuldades e lidando com os mesmos tipos de problema.
1) Como posso aplicar em sala de aula os conhecimentos de fonética e fonologia, morfologia e sintaxe que são apresentados na faculdade? Ou seja, para que serve saber de Linguística no cotidiano do professor?
2) De que forma o conhecimento linguístico pode ser transmitido aos alunos? Como ensinar sintaxe e escrita usando as diferentes visões de linguagem e descrições da língua (gramática normativa, gramática de usos, gramática descritiva, gramática funcionalista, gramática sistêmico-funcional, etc.)?
Como o assunto dá pano para manga, ainda mais na USP que não tem um departamento de Linguística Aplicada, as respostas não foram satisfatórias e todos entraram em um consenso de que deveria haver uma disciplina que ensinasse o que fazer com os conhecimentos linguisticos e o ensino de português, ou mesmo qualquer outra língua estrangeira. Também tocamos no assunto de que tais coisas deveriam ser discutidas na aula de Didática, mas que o atual programa dessa disciplina dá conta, apenas, de informar as diferentes linhas teóricas sobre ensino.
Fiquei pensando cá com os meus botões que, se essas questões fossem fáceis de ser resolvidas, ninguém estaria depois fazendo mestrado e doutorado, tentando resolver as mesmas dificuldades e lidando com os mesmos tipos de problema.
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quarta-feira, 5 de maio de 2010
Ensino na USP é prejudicado pela greve dos funcionários
Greve dificulta acesso a obras indicadas por professores
Funcionários da Universidade de São Paulo entraram em greve na manhã de hoje, dia 05 de maio, buscando aumento salarial de RS 200,00 fixo, além de 16% de reajuste. Segundo o Sindicato dos Funcionários da USP (Sintusp), houve uma quebra da isonomia no início deste ano, quando os professores receberam aumento salarial de 6% e os funcionários não tiveram nenhum benefício. Por enquanto, os professores não deram indicativo de greve. A situação deve ser discutida no próximo dia 11, em reunião de todos os setores com a Reitoria.
A greve afeta a circulação de ônibus internos da USP dentro dos campi, atividades laboritoriais, atividades administrativas e a utilização das bibliotecas. Com isso, os estudantes estão tendo dificuldades para conseguir os textos a serem lidos em sala de aula ou por indicação dos professores. Se não estiverem no xerox, não há como realizar a leitura. Há obras raras e publicações especiais que não podem ser compradas e, mesmo se pudessem, a idéia de comprar todos os livros requisitados é economicamente inviável.
Espera-se que na reunião entre Reitoria, Professores e Funcionários, marcada para o dia 11 de maio, a questão seja debatida e todas as partes entrem em um consenso, impedindo assim que os estudantes saiam prejudicados e os benefícios aos funcionários, tendo fundamento o pedido, sejam concedidos.
Funcionários da Universidade de São Paulo entraram em greve na manhã de hoje, dia 05 de maio, buscando aumento salarial de RS 200,00 fixo, além de 16% de reajuste. Segundo o Sindicato dos Funcionários da USP (Sintusp), houve uma quebra da isonomia no início deste ano, quando os professores receberam aumento salarial de 6% e os funcionários não tiveram nenhum benefício. Por enquanto, os professores não deram indicativo de greve. A situação deve ser discutida no próximo dia 11, em reunião de todos os setores com a Reitoria.
A greve afeta a circulação de ônibus internos da USP dentro dos campi, atividades laboritoriais, atividades administrativas e a utilização das bibliotecas. Com isso, os estudantes estão tendo dificuldades para conseguir os textos a serem lidos em sala de aula ou por indicação dos professores. Se não estiverem no xerox, não há como realizar a leitura. Há obras raras e publicações especiais que não podem ser compradas e, mesmo se pudessem, a idéia de comprar todos os livros requisitados é economicamente inviável.
Espera-se que na reunião entre Reitoria, Professores e Funcionários, marcada para o dia 11 de maio, a questão seja debatida e todas as partes entrem em um consenso, impedindo assim que os estudantes saiam prejudicados e os benefícios aos funcionários, tendo fundamento o pedido, sejam concedidos.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Site voltado para aprendizagem de idiomas pode auxiliar professores
Site de Cursos Gratuitos apresenta áudios, ditados, exercícios e diversos materiais que podem ser adaptados para o uso em sala de aula, além de servirem como suporte para os alunos treinarem a língua em casa. Apesar do site estar em francês, há também material para ensino de outras línguas, como Alemão, Espanhol, Inglês, Italiano, Neerlandês, Japonês, Latim e Provençal e testes de cultura geral e matemática.
A vantagem do site é apresentar aúdios para treino de pronúncia e links com os diferentes significados de cada palavra utilizada.
Sabe-se que uma das funções do professor de idiomas é conhecer o sistema da língua a ser ensinada, reconhecendo os diferentes significados construídos em cada contexto social, registro e gênero textual. O conteúdo e a forma como ele é apresentado aos alunos, no entanto, deve ser adaptado às condições de sala de aula, à cada turma e às necessidades e interesses de cada um. O site deve ser visto, assim, apenas como uma ferramenta de auxílio para o ensino de língua estrangeira, sendo analisado e, possivelmente, utilizado de forma crítica pelo professor.
A vantagem do site é apresentar aúdios para treino de pronúncia e links com os diferentes significados de cada palavra utilizada.
Sabe-se que uma das funções do professor de idiomas é conhecer o sistema da língua a ser ensinada, reconhecendo os diferentes significados construídos em cada contexto social, registro e gênero textual. O conteúdo e a forma como ele é apresentado aos alunos, no entanto, deve ser adaptado às condições de sala de aula, à cada turma e às necessidades e interesses de cada um. O site deve ser visto, assim, apenas como uma ferramenta de auxílio para o ensino de língua estrangeira, sendo analisado e, possivelmente, utilizado de forma crítica pelo professor.
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quarta-feira, 14 de abril de 2010
Universidades permitem acesso a aulas e palestras gratuitas
Parece ser uma tendência entre as universidades estrangeiras permitir o acesso, via internet, à conteúdos de sala de aula, palestras, discussões. Segundo o New York Times, a primeira a publicar os vídeos e aúdios foi a Massachusets Institute of Technology. Apesar de ter acesso, na maioria das vezes os internautas não recebem certificado por participação nos cursos.
Depois da iniciativa do MIT, surgiu um consórcio, o OpenCourseWare Consortium, para estimular outras universidades a fazer o mesmo. Cada uma pode escolher o conteúdo e as áreas privilegiadas (astrologia, estudos de gênero, psicologia ou artes).
Enquanto algumas faculdades permitem o acesso ao conteúdo por meio do próprio site, outra fonte possível é o portal do youtube,youtube.com/edu carregado com vídeos de Stamford e Cambridge, por exemplo.
No Brasil, a primeira a participar foi a Fundação Getúlio Vargas, com assuntos voltados para gestão empresarial e metodologia, além de capacitação de professores. Caso o aluno queira um certificado de conclusão de curso, é possível realizar uma prova.
obs: A informação foi dada pela Folha de São Paulo dessa quarta-feira, com texto baseado em informações do New York Times.
Depois da iniciativa do MIT, surgiu um consórcio, o OpenCourseWare Consortium, para estimular outras universidades a fazer o mesmo. Cada uma pode escolher o conteúdo e as áreas privilegiadas (astrologia, estudos de gênero, psicologia ou artes).
Enquanto algumas faculdades permitem o acesso ao conteúdo por meio do próprio site, outra fonte possível é o portal do youtube,youtube.com/edu carregado com vídeos de Stamford e Cambridge, por exemplo.
No Brasil, a primeira a participar foi a Fundação Getúlio Vargas, com assuntos voltados para gestão empresarial e metodologia, além de capacitação de professores. Caso o aluno queira um certificado de conclusão de curso, é possível realizar uma prova.
obs: A informação foi dada pela Folha de São Paulo dessa quarta-feira, com texto baseado em informações do New York Times.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
As Polêmicas Aulas de Religião
Uma das coisas mais cafonas da PUC é que existem aulas de religião. Confesso que tenho um senão com aulas que envolvam a temática religiosa, mas simplesmente porque acho que muita gente não sabe a distinção entre aula e pregação. Tive um ano dessas aulas: um semestre com um professor, que foi praticamente exorcizado do Jornalismo depois que passou pela nossa sala, e no segundo semestre outro.
Um das polêmicas com a aula é que faz muito tempo que a PUC é frequentada por católicos, agnósticos, ateus, judeus, umbandistas, presbiterianos e evangélicos. Tem até Bola de Neve. Enquanto a temática religiosa está restrita ao âmbito filosófico, tudo flui bem e certas questões parecem bem interessantes. Mas vai sempre depender da abordagem dada pelo professor.
O tal do professor de primeiro semestre resolveu ensinar o que era a religião católica e defender os preceitos das encíclicas, dos discursos papais. Muito retrógrado!O livro dele servia de base para discussão, mas ele insistia em tratar de temas polêmicos como aborto, uso de camisinhas e anticoncepcionais e etc. Sempre tentando cooptar pessoas a acreditar, ou pelo menos comprar, a argumentação do catolicismo. Uma vez ele até falou que aspessoas não deveriam usar camisinha ou qualquer outro método anticoncepcional porque isso ia contra as leis divinas. Os jornalistas cri-cris que estavam na sala estavam sempre caindo de pau em tudo o que o professor falava (eu era uma delas) e, depois de muita luta verbal, ele resolveu que era melhor mudar de curso. Fazia sentido...
No segundo semestre, o professor tratou de temas como: a orientalização da crença, mélange e sincretismo religioso, por quê as pessoas tem fé. Muito mais interessante, sem grandes conflitos. Metade das pessoas tinha perdido o interesse na disciplina, mas participava esporadicamente da aula. A outra metade nunca fez esforço nenhum para participar e resolveu que era melhor se concentrar em conseguir nota no trabalho de fim de semestre. Acontece...
Um das polêmicas com a aula é que faz muito tempo que a PUC é frequentada por católicos, agnósticos, ateus, judeus, umbandistas, presbiterianos e evangélicos. Tem até Bola de Neve. Enquanto a temática religiosa está restrita ao âmbito filosófico, tudo flui bem e certas questões parecem bem interessantes. Mas vai sempre depender da abordagem dada pelo professor.
O tal do professor de primeiro semestre resolveu ensinar o que era a religião católica e defender os preceitos das encíclicas, dos discursos papais. Muito retrógrado!O livro dele servia de base para discussão, mas ele insistia em tratar de temas polêmicos como aborto, uso de camisinhas e anticoncepcionais e etc. Sempre tentando cooptar pessoas a acreditar, ou pelo menos comprar, a argumentação do catolicismo. Uma vez ele até falou que aspessoas não deveriam usar camisinha ou qualquer outro método anticoncepcional porque isso ia contra as leis divinas. Os jornalistas cri-cris que estavam na sala estavam sempre caindo de pau em tudo o que o professor falava (eu era uma delas) e, depois de muita luta verbal, ele resolveu que era melhor mudar de curso. Fazia sentido...
No segundo semestre, o professor tratou de temas como: a orientalização da crença, mélange e sincretismo religioso, por quê as pessoas tem fé. Muito mais interessante, sem grandes conflitos. Metade das pessoas tinha perdido o interesse na disciplina, mas participava esporadicamente da aula. A outra metade nunca fez esforço nenhum para participar e resolveu que era melhor se concentrar em conseguir nota no trabalho de fim de semestre. Acontece...
domingo, 29 de novembro de 2009
Professor devia ser Jubilado também!!
Outro dia tive o grande desprazer de receber as instruções para o trabalho de final de semestre de uma disciplina de literatura portuguesa que eu curso na USP. Explico: as instruções do trabalho envolviam ler um livro sobre Camões escrito pelo meu professor e com os comentários de leitura da esposa, também professora da mesma disciplina. Bruta sacanagem canastrona! O melhor era que ambos estavam comentando, em sala de aula, a dificuldade de analisar obras de autores vivos. Agora imagine a dificuldade de fazer um trabalho sobre o livro do próprio professor. Peloamordedeus!
A prática parece ser recorrente e gostaria de expressar minha indignação. Existem casos que pode ser compreensível a necessidade de utilizar o material feito pelo próprio professor, por exemplo, se ele for especialista da área ou o assunto estiver relacionado com a temática da discussão. Mas, por favor, que os textos escritos pelos professores não estejam envolvidos em nenhum tipo de avaliação.
ps: Só de birra usei só material escrito por ele nas minhas referências bibliográficas, do trabalho final. Será que ele vai reclamar?? Tem alguns professores da USP que podiam ser jubilados também!
ps2: Existem professores que, muito pelo contrário, por mais que nós clamemos pelos seus textos eles discretamente "esquecem" de enviá-los. Compreensível, mas que fique registrado que quando é pedido,é porque faz sentido.
Caso alguém tenha algum caso/causo interessante, escrevam: email (reflexoesensino@gmail.com ou jusayao@gmail.com).
A prática parece ser recorrente e gostaria de expressar minha indignação. Existem casos que pode ser compreensível a necessidade de utilizar o material feito pelo próprio professor, por exemplo, se ele for especialista da área ou o assunto estiver relacionado com a temática da discussão. Mas, por favor, que os textos escritos pelos professores não estejam envolvidos em nenhum tipo de avaliação.
ps: Só de birra usei só material escrito por ele nas minhas referências bibliográficas, do trabalho final. Será que ele vai reclamar?? Tem alguns professores da USP que podiam ser jubilados também!
ps2: Existem professores que, muito pelo contrário, por mais que nós clamemos pelos seus textos eles discretamente "esquecem" de enviá-los. Compreensível, mas que fique registrado que quando é pedido,é porque faz sentido.
Caso alguém tenha algum caso/causo interessante, escrevam: email (reflexoesensino@gmail.com ou jusayao@gmail.com).
Ruminando Escritos Antigos
Estava revendo algumas postagens antigas, do meu outro blog, e dei de encontro com um texto sobre a Intuição. Está baseado em um texto lido e discutido em sala de aula, em uma das aulas de mestrado, mas quando eu escrevi sobre ele não me referi à Educação. Vamos à ele:
A Desmistificação Acadêmica da Intuição
A intuição foi negada pelos iluministas, positivistas e racionalistas em geral como parte constituinte do ser humano. Na era da auto-ajuda, ela se transformou em uma espécie de mantra do sexto-sentido, ligado ao místico e ao inexplicável das sensações humanas. Bem cartomancista e premonitório.
Guy Claxton, um educador inglês, propõe que as escolhas feitas no âmbito profissional sejam mediadas pela intuição, se a tomarmos como sendo a junção do processo racional de apreensão da realidade e conhecimento do mundo e do aspecto emotivo, afetivo e impulsivo da existência.
Essa nova forma de intuição seria constituída por 6 fatores:
De qualquer forma, segundo Claxton, é preciso tomá-la como uma nova forma de conhecimento e, para isso, é necessário estar aberto às mudanças comportamentais implicadas nessa nova abordagem. As assepções e os comportamentos derivados desse novo método deveriam ser tomados como falíveis, tanto do ponto de vista teórico quanto prático, dando a dimensão de que o conhecimento é uma construção, um processo e que é preciso errar para um dia estar certo, tropeçar para poder levantar.
Fiquei intrigada porque (talvez seja impressão minha) no mundo pós-moderno as ações profissionais estão cada vez mais limitadas pela racionalização do processo, pela maquinicidade da atividade e pela linhas de produção. Será que está nos faltando essa dimensão sensitiva, emocional, esse gut feeling da intuição? Ou somos todos pragmáticos em busca de certos resultados, conseguidos pela subserviência muda aos manuais?
Isso é, então, um convite à ousadia. Não a uma ousadia absolutamente impulsiva e irresponsável, mas àquela dimensão da experimentação em que existem ponderações e autolimitações e existe ainda o espaço do desejo, da vontade, do querer.
Referências:
Claxton, Guy. 2000. The anatomy of intuition. In: The Intuitive Practioner: On the value of not always knowing what one is doing. Buckingham: Open University Press. pp. 33-52.
Guy Claxton Website: http://www.guyclaxton.com/
(Publicado em Uma Abelha Ferro(o)u Minha Campainha, site: http://abelhanacampainha.blogspot.com/ em 14/10/2009).
Agora, se pensarmos na aplicação da intuição dentro da sala de aula, podemos ter como exemplo aquele momento decisório em que uma discussão é interrompida ou instigada porque acredita-se que será frutífera (vale mais a pena deixar correr do que seguir o planejamento de aula) ou perda de tempo completo (a atividade inicialmente programada é mudada na hora). De qualquer forma, estaria relacionada à uma percepção e interpretação do momento e à ação conseguinte.
Eu imagino que muitos professores tenham experiências desse tipo que possam ser compartilhadas. Quem se sentir inclinado à relatá-las, fique à vontade:comentários e e-mails são sempre bem-vindos.
A Desmistificação Acadêmica da Intuição
A intuição foi negada pelos iluministas, positivistas e racionalistas em geral como parte constituinte do ser humano. Na era da auto-ajuda, ela se transformou em uma espécie de mantra do sexto-sentido, ligado ao místico e ao inexplicável das sensações humanas. Bem cartomancista e premonitório.
Guy Claxton, um educador inglês, propõe que as escolhas feitas no âmbito profissional sejam mediadas pela intuição, se a tomarmos como sendo a junção do processo racional de apreensão da realidade e conhecimento do mundo e do aspecto emotivo, afetivo e impulsivo da existência.
Essa nova forma de intuição seria constituída por 6 fatores:
- Expertise: know-how, aprendido pelo estudo e pelas vivências profissionais de cada um;
- Aprendizado: reconhecimento das variáveis envolvidas, por exemplo, na educação e no processo de ensino/aprendizagem e na formação do ser adulto (crítico, racional, emocional);
- Julgamento: escolhas e posicionamentos adotados, capacidade de julgar as ações e os fenômenos e agir em resposta;
- Sensibilidade: percepção aguçada das situações, das emoções, dos acontecimentos ao seu redor;
- Criatividade e capacidade de resolução de problemas: processo de inovação, mudança e busca de soluções para as situações enfrentadas;
- Ruminação: reflexão sobre situações, vivências, dificuldades - associada aos sonhos, à imaginação - da qual extraímos o significado e o sentido das ações e suas implicações.
De qualquer forma, segundo Claxton, é preciso tomá-la como uma nova forma de conhecimento e, para isso, é necessário estar aberto às mudanças comportamentais implicadas nessa nova abordagem. As assepções e os comportamentos derivados desse novo método deveriam ser tomados como falíveis, tanto do ponto de vista teórico quanto prático, dando a dimensão de que o conhecimento é uma construção, um processo e que é preciso errar para um dia estar certo, tropeçar para poder levantar.
Fiquei intrigada porque (talvez seja impressão minha) no mundo pós-moderno as ações profissionais estão cada vez mais limitadas pela racionalização do processo, pela maquinicidade da atividade e pela linhas de produção. Será que está nos faltando essa dimensão sensitiva, emocional, esse gut feeling da intuição? Ou somos todos pragmáticos em busca de certos resultados, conseguidos pela subserviência muda aos manuais?
Isso é, então, um convite à ousadia. Não a uma ousadia absolutamente impulsiva e irresponsável, mas àquela dimensão da experimentação em que existem ponderações e autolimitações e existe ainda o espaço do desejo, da vontade, do querer.
Referências:
Claxton, Guy. 2000. The anatomy of intuition. In: The Intuitive Practioner: On the value of not always knowing what one is doing. Buckingham: Open University Press. pp. 33-52.
Guy Claxton Website: http://www.guyclaxton.com/
(Publicado em Uma Abelha Ferro(o)u Minha Campainha, site: http://abelhanacampainha.blogspot.com/ em 14/10/2009).
Agora, se pensarmos na aplicação da intuição dentro da sala de aula, podemos ter como exemplo aquele momento decisório em que uma discussão é interrompida ou instigada porque acredita-se que será frutífera (vale mais a pena deixar correr do que seguir o planejamento de aula) ou perda de tempo completo (a atividade inicialmente programada é mudada na hora). De qualquer forma, estaria relacionada à uma percepção e interpretação do momento e à ação conseguinte.
Eu imagino que muitos professores tenham experiências desse tipo que possam ser compartilhadas. Quem se sentir inclinado à relatá-las, fique à vontade:comentários e e-mails são sempre bem-vindos.
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009
'Questões' é um termo um pouco vago...
Deu no New York Times, em 14/11: Seeling Lesson Plans Online Raises Cash and Questions. Só pelo título a matéria já me chamou a atenção, afinal, a questão financeira envolvendo a internet e a venda de planejamento de aulas parece ser algo que atrairia muita gente a tentar ganhar dinheiro dessa mesma forma, por mais que esteja indicado que a prática pode ser duvidosa.
Ao terminar de ler, eu vi que a matéria não apresentava dúvidas sobre como esse material deveria ser usado, sendo por exemplo adaptado a cada contexto, a cada sala pelo professor/comprador, mas o grande questionamento era se a propriedade intelectual dos planejamentos de aula de professores da rede pública era deles mesmo, se era correto (do ponto de vista comercial) vender esse tipo de trabalho.
Mas os meus questionamentos são mais direcionados à utilização desses planos de aula. Para alguns, parecia ser somente mais uma fonte para montar as aulas, facilitando o trabalho. Válido e compreensível, já que estava funcionando como uma espécie de relato de experiência do qual todos poderiam tirar proveito. Para outros, a impressão que se têm é a de que o material era utilizado da forma como vinha, já que "reinventar a roda" não faz sentido. E, assim, seria necessário considerar que a realidade sócio-cultural de um país tão grande quanto os EUA (e no Brasil, a meu ver, a coisa é ainda mais complicada) é diversa: alguém pode imaginar uma professora texana dando a mesma aula que um nova-iorquino? Por que o jornal não explorou os usos desses materiais, apenas as vantagens econômicas para os professores/vendedores?
Do ponto de vista de um jornalismo preocupado com a informação e com a formação crítica dos seus leitores, faltou avaliar o problema da perspectiva de ensino/aprendizagem ou do próprio aluno. Pensando agora na visão da linguística aplicada, seria impossível pensar em um cenário educacional em que planejamentos de aula são vendidos e utilizados da mesma forma em dois ou mais locais com culturas, saberes, facilidades e dificuldades distintos, por professores completamente diferentes. Por princípio, faz parte da atividade profissional montar um planejamento de aula que leve em consideração todas as questões de contexto, na tentativa de se criar um ambiente mais confortável, agradável e propício para os alunos. Uma metodologia de ensino, por exemplo, que busque trazer elementos do cotidiano e da cultura do local para dentro da temática formal da aula.
Ao terminar de ler, eu vi que a matéria não apresentava dúvidas sobre como esse material deveria ser usado, sendo por exemplo adaptado a cada contexto, a cada sala pelo professor/comprador, mas o grande questionamento era se a propriedade intelectual dos planejamentos de aula de professores da rede pública era deles mesmo, se era correto (do ponto de vista comercial) vender esse tipo de trabalho.
Mas os meus questionamentos são mais direcionados à utilização desses planos de aula. Para alguns, parecia ser somente mais uma fonte para montar as aulas, facilitando o trabalho. Válido e compreensível, já que estava funcionando como uma espécie de relato de experiência do qual todos poderiam tirar proveito. Para outros, a impressão que se têm é a de que o material era utilizado da forma como vinha, já que "reinventar a roda" não faz sentido. E, assim, seria necessário considerar que a realidade sócio-cultural de um país tão grande quanto os EUA (e no Brasil, a meu ver, a coisa é ainda mais complicada) é diversa: alguém pode imaginar uma professora texana dando a mesma aula que um nova-iorquino? Por que o jornal não explorou os usos desses materiais, apenas as vantagens econômicas para os professores/vendedores?
Do ponto de vista de um jornalismo preocupado com a informação e com a formação crítica dos seus leitores, faltou avaliar o problema da perspectiva de ensino/aprendizagem ou do próprio aluno. Pensando agora na visão da linguística aplicada, seria impossível pensar em um cenário educacional em que planejamentos de aula são vendidos e utilizados da mesma forma em dois ou mais locais com culturas, saberes, facilidades e dificuldades distintos, por professores completamente diferentes. Por princípio, faz parte da atividade profissional montar um planejamento de aula que leve em consideração todas as questões de contexto, na tentativa de se criar um ambiente mais confortável, agradável e propício para os alunos. Uma metodologia de ensino, por exemplo, que busque trazer elementos do cotidiano e da cultura do local para dentro da temática formal da aula.
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Informações Cibernéticas
Recebi pelo twitter uma notícia curiosa: existe uma lei que torna obrigatório no ensino fundamental e médio o ensino de história e cultura africanas. Justo, já que é uma cultura influente na formação do que seria a identidade brasileira, por motivos históricos obviamente. Porém, mais importante do que dar valor à cultura de um continente pela mera inserção obrigatória no currículo, talvez fosse necessário pensar de que forma diferentes conteúdos poderiam ser trabalhados em sala de aula para que a discussão não seja apenas uma atividade que cumpra com a agenda, mas sim que instigue o raciocínio dos alunos, que traga à tona discussões em torno de temáticas como cidadania, colonização, preconceito, desigualdades sociais, combate à AIDS, fome. Ou seja, é insuficiente falar de um ensino que não seja transdisciplinar e mostre a pluralidade do mundo, as múltiplas interpretações e enfoques de estudo.
Esse assunto daria margem à inúmeras discussões... Fica uma pergunta: será que o mais importante é o quê ou o como a gente faz as coisas dentro da sala de aula? Impossível separar as duas coisas?
Esse assunto daria margem à inúmeras discussões... Fica uma pergunta: será que o mais importante é o quê ou o como a gente faz as coisas dentro da sala de aula? Impossível separar as duas coisas?
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Escolhas Momentâneas
Eu fiz o colegial na Escola Vera Cruz, em um prédio vizinho ao enorme edifício dos correios que tem na avenida do Ceasa. Sete anos atrás, não existiam aqueles prédios mais chiques e grandes, muito menos a quantidade enorme de lanchonetes, cafés e restaurantes do outro lado da Imperatriz Leopoldina. O chão da escola queimava os pés no calor, mas era moda andar descalço para cima e para baixo, pelo menos durante o recreio.
Algumas vezes, tentando aproveitar o gostoso da primavera e do verão, alguém apresentava na sala de aula a maravilhosa idéia: Vamos ter aula ao ar livre! Era quase uma defesa do método peripatético aristotélico, não fosse também uma tentativa de diferenciar o ambiente de discussão e tomar um solzinho gostoso. Sempre tinha alguém que se responsabilizava por não bagunçar a aula, senão não teríamos mais. E sempre tinha aquele aluno com uma lábia charmosa, que tentava dobrar as reticências do professor ou professora.
Havia algo por detrás da decisão de dar a aula no pátio ou ficar em sala, o qual eu nunca tinha imaginado: será que essas aulas motivavariam disperssariam os alunos? Como fazer com que todos ouvissem e entrassem na discussão se não havia aquela organização espacial tradicional e nem mesmo a acústica. Sinuca de bico.
Bom, cada sala é uma sala, cada professor é um, então a decisão nem sempre era favorável ao que nós tínhamos proposto. Mas, quando era favorável, aprender tinha um que de leve e gostoso com o qual nem todos têm ou tinham contato. Será que modificar a estrutura tradicional, vez ou outra, não poderia ser uma estratégia para engajar mais alunos? Talvez, enquanto educadores, a criatividade tenha que estar sempre trabalhando à favor de técnicas e ações possíveis... Sem necessariamente pensar em certo e errado em termos do paradigma tradicional, mas levando em consideração como aquela determinada turma reagiria a esse tipo de ousadia.
Algumas vezes, tentando aproveitar o gostoso da primavera e do verão, alguém apresentava na sala de aula a maravilhosa idéia: Vamos ter aula ao ar livre! Era quase uma defesa do método peripatético aristotélico, não fosse também uma tentativa de diferenciar o ambiente de discussão e tomar um solzinho gostoso. Sempre tinha alguém que se responsabilizava por não bagunçar a aula, senão não teríamos mais. E sempre tinha aquele aluno com uma lábia charmosa, que tentava dobrar as reticências do professor ou professora.
Havia algo por detrás da decisão de dar a aula no pátio ou ficar em sala, o qual eu nunca tinha imaginado: será que essas aulas motivavariam disperssariam os alunos? Como fazer com que todos ouvissem e entrassem na discussão se não havia aquela organização espacial tradicional e nem mesmo a acústica. Sinuca de bico.
Bom, cada sala é uma sala, cada professor é um, então a decisão nem sempre era favorável ao que nós tínhamos proposto. Mas, quando era favorável, aprender tinha um que de leve e gostoso com o qual nem todos têm ou tinham contato. Será que modificar a estrutura tradicional, vez ou outra, não poderia ser uma estratégia para engajar mais alunos? Talvez, enquanto educadores, a criatividade tenha que estar sempre trabalhando à favor de técnicas e ações possíveis... Sem necessariamente pensar em certo e errado em termos do paradigma tradicional, mas levando em consideração como aquela determinada turma reagiria a esse tipo de ousadia.
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