Mostrando postagens com marcador jornalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador jornalismo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Algumas relações entre notícias

No dia 29/06/2010 foi publicada na Folha de São Paulo a seguinte notícia: Apostila melhora nota de aluno em SP. O resultado da pesquisa, conduzida pelo Fundação Lemann, demonstrou pela primeira vez que o uso de apostilas teria impacto significativo no processo de aprendizagem, aumentando a nota dos alunos na Prova Brasil.

À parte do que pode existir de controverso no uso desses materiais em sala de aula, o resultado apenas mostrou que, em termos de formação de professores, o país ainda tem muito a fazer. Usando o material, o conteúdo de cada aula fica sistematizado e organizado tanto para professores quanto para alunos, destituindo o professor dessa função. Enquanto muitos argumentam que esse seria um engessamento do currículo, a sua utilização mostra que muitos profissionais ainda precisam ser guiados em atividades básicas como a preparação de aulas.

No entanto, meu enfoque nesse texto não será exclusivamente o uso ou não desses materiais e seus impactos em sala de aula. Essa semana saiu a notícia de que a Abril Educação comprou o grupo Anglo, que engloba o Anglo Sistema de Ensino, o Anglo Vestibulares e o Siga, voltado para concursos públicos. A compra tranforma o Abril Educação no segundo maior grupo nesse segmento, e aponta a estratégia da empresa em se tornar o líder do país.

Ambas as notícias, quando colocadas lado a lado, apontam que existe a possibilidade de expansão do ensino apostilado em diferentes âmbitos de ensino, seja ele privado ou público. Talvez seja de interesse das empresas expandir o mercado de venda de apostilas e investir na criação de novos materiais, mas é preciso considerar qual o seu impacto a longo prazo na educação do país. Investir nas apostilas é uma resolução de curto prazo, um mero remendo para um problema que é estrutural. Enquanto os princíos estrurantes não forem reformulados e a educação começar de baixo, sendo vista como um proceso de crescimento do indivíduo e culminando na formação de professores, as estruturas recebem apoios cada vez mais pré-fabricados e insuficientes. Afinal, melhorar notas não é resolver a questão.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ensino na USP é prejudicado pela greve dos funcionários

Greve dificulta acesso a obras indicadas por professores

Funcionários da Universidade de São Paulo entraram em greve na manhã de hoje, dia 05 de maio, buscando aumento salarial de RS 200,00 fixo, além de 16% de reajuste. Segundo o Sindicato dos Funcionários da USP (Sintusp), houve uma quebra da isonomia no início deste ano, quando os professores receberam aumento salarial de 6% e os funcionários não tiveram nenhum benefício. Por enquanto, os professores não deram  indicativo de greve. A situação deve ser discutida no próximo dia 11, em reunião de todos os setores com a Reitoria.

A greve afeta a circulação de ônibus internos da USP dentro dos campi, atividades laboritoriais, atividades administrativas e a utilização das bibliotecas. Com isso, os estudantes estão tendo dificuldades para conseguir os textos a serem lidos em sala de aula ou por indicação dos professores. Se não estiverem no xerox, não há como realizar a leitura. Há obras raras e publicações especiais que não podem ser compradas e, mesmo se pudessem, a idéia de comprar todos os livros requisitados é economicamente inviável.

Espera-se que na reunião entre Reitoria, Professores e Funcionários, marcada para o dia 11 de maio, a questão seja debatida e todas as partes entrem em um consenso, impedindo assim que os estudantes saiam prejudicados e os benefícios aos funcionários, tendo fundamento o pedido, sejam concedidos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Dicas de leitura organizada por idade podem auxiliar professor e pais

Existe sempre uma dúvida no ar quando pais levam seus filhos para comprar um livro em alguma livraria ou professores fazem planejamento de aula para o próximo ano. Vai então uma dica: A Fundação Victor Civita, vinculada a Editora Abril, tem várias iniciativas voltadas para Educação, entre elas dicas de livros que podem ser lidos por crianças e jovens de 02 a 18 anos, publicadas no site do projeto "Educar para crescer". O projeto engloba diversas atividades, como o desenvolvimento de blogs, material didático e textos sobre aprendizagem e leitura com orientãções para os pais.

Ainda não dei uma lida no material que me mandaram, mas estou divulgando o site porque existe a possibilidade de alguém fazer bom uso dessas informações. Para quem não sabe, a editora Abril é responsável pela publicação da revista Nova Escola. Outra possível fonte, que eu também não cheguei a ver ainda.

Se mais alguém souber de alguma coisa legal, é só mandar...

ps: Lulu, querida, obrigada pela dica!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

'Questões' é um termo um pouco vago...

Deu no New York Times, em 14/11: Seeling Lesson Plans Online Raises Cash and Questions. Só pelo título a matéria já me chamou a atenção, afinal, a questão financeira envolvendo a internet e a venda de planejamento de aulas parece ser algo que atrairia muita gente a tentar ganhar dinheiro dessa mesma forma, por mais que esteja indicado que a prática pode ser duvidosa.

Ao terminar de ler, eu vi que a matéria não apresentava dúvidas sobre como esse material deveria ser usado, sendo por exemplo adaptado a cada contexto, a cada sala pelo professor/comprador, mas o grande questionamento era se a propriedade intelectual dos planejamentos de aula de professores da rede pública era deles mesmo, se era correto (do ponto de vista comercial) vender esse tipo de trabalho.

Mas os meus questionamentos são mais direcionados à utilização desses planos de aula. Para alguns, parecia ser somente mais uma fonte para montar as aulas, facilitando o trabalho. Válido e compreensível, já que estava funcionando como uma espécie de relato de experiência do qual todos poderiam tirar proveito. Para outros, a impressão que se têm é a de que o material era utilizado da forma como vinha, já que "reinventar a roda" não faz sentido. E, assim, seria necessário considerar que a realidade sócio-cultural de um país tão grande quanto os EUA (e no Brasil, a meu ver, a coisa é ainda mais complicada) é diversa: alguém  pode imaginar uma professora texana dando a mesma aula que um nova-iorquino? Por que o jornal não explorou os usos desses materiais, apenas as vantagens econômicas para os professores/vendedores?

Do ponto de vista de um jornalismo preocupado com a informação e com a formação crítica dos seus leitores, faltou avaliar o problema da perspectiva de ensino/aprendizagem ou do próprio aluno. Pensando agora na visão da linguística aplicada, seria impossível pensar em um cenário educacional em que planejamentos de aula são vendidos e utilizados da mesma forma em dois ou mais locais com culturas, saberes, facilidades e dificuldades distintos, por professores completamente diferentes. Por princípio, faz parte da atividade profissional montar um planejamento de aula que leve em consideração todas as questões de contexto, na tentativa de se criar um ambiente mais confortável, agradável e propício para os alunos. Uma metodologia de ensino, por exemplo, que busque trazer elementos do cotidiano e da cultura do local para dentro da temática formal da aula.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Alguns comentários sobre o Caderno Saber - Folha de São Paulo

A Folha de São Paulo lançou na semana passada uma seção especializada em educação, denominada Saber, a ser publicada toda segunda-feira junto do caderno de Cotidiano. Os primeiros textos ( " 7 mitos da educação" e "Verdade ou Mentira" de 09/11/09) foram um gesto ousado, porque fazem um revisão de 7 pontos tidos como principais para a mudança da Educação no Brasil e tentam desmistificá-los enquanto soluções práticas eficazes, pelo menos a curto prazo.

São eles (da forma como o jornal escreveu):

1) Só pagar melhor o professor já melhora o aprendizado
2) Melhorar a infraestrutura da escola tem impacto positivo no desempenho dos alunos
3) A Progressão Continuada contribui para piorar a qualidade do ensino
4) Cursos de reciclagem para professores ajudam a melhorar o ensino
5) Gastar mais com educação é suficiente para aumentar o aprendizado dos alunos
6) A escola não pode ajudar filhos de famílias desestruturadas
7) Sistemas de ensino apostilados tolhem a autonomia do professor

Em primeiro lugar, as escolhas lexicais do texto são totalmente inapropriadas. O aprendizado, por exemplo, é algo que pode ser piorado e melhorado como se pudessemos aumentar ou diminuir o volume. Parece algo estático, perdendo a dimensão da construção conjunta do conhecimento, do seu caráter processual e dialógico, que ocorre entre indivíduos com facilidades e dificuldades. O professor, nesse sentido, deveria ser somente um mediador do conhecimento e não uma autoridade no assunto, do qual os alunos não se aproximam e não conseguem expressar seus desejos e, ao mesmo tempo, as suas necessidades de aprendizagem.

Outro problema é a utilização do termo como "famílias desestruturadas", porque parte-se do pressusposto, de que existe um padrão de família correto, estruturado, normal e perfeito. Em um mundo plural como o contemporâneo, em que pais e mães separam-se, casam-se novamente e, pode acontecer, seu melhor amigo vira seu irmão de papel passado, é impossível pensar que exista um padrão. E, mais do que isso, é impossível pensar em uma escola que não cumpra seu papel na formação do cidadão, nesse caso, consciente das mudanças comportamentais e culturais do seu tempo em relação ao passado. Aceitar o próximo e a diversidade pode ser filosofia religiosa milenar, mas isso não quer dizer que não precise mais ser ensinada. Muito pelo contrário.

A discussão em torno dos aspectos financeiros  tocou em quatro pontos importantes: salário de professor, reciclagem de professor, investimento estatal e infraestrutura. Embora elas sejam tidas como soluções ineficientes caso aplicadas isoladas, é importante pensar que a motivação do professor para realizar o seu trabalho depende (não somente, mas também) do respeito social  em torno da sua profissão, cujo parâmetro atual perpassa o valor financeiro do seu trabalho. A reciclagem e a atualização dos seus conhecimentos está necessariamente levando em consideração a sua necessidade de acompanhar as mais recentes tendências, estimulando a reflexão constante sobre a sua prática e buscando soluções para o desenvolvimento dos alunos. A infraestrutura de uma escola deveria propiciar e incentivar os alunos à buscar conhecimento, saber. O mínimo, como a substituição das escolas de lata,  proposta em projeto da prefeitura de São Paulo, deveria ser feito. Isso sem falar na implementação de computadores em áreas de fácil acesso, já que a internet tornou-se fonte de estudos e de informações globais. Obviamente que só o investimento financeiro não é suficiente, mas ele faz parte de um conjunto de ações necessárias.

Por fim, a utilização das apostilas pode ser um item facilitador da atividade do professor ao apresentar uma síntese de todos os conteúdos a serem trabalhados e propostas de atividades a serem desenvolvidas, contato que sejam utilizadas com parcimônia. Na sua sala de aula, o professor deve ter liberdade para trabalhar esses conteúdos da forma que lhe parecer mais conveniente, alterando por exemplo a ordem das aulas ou pulando algumas partes e exercícios considerados impróprios. Se a apostila for utilizada como algo complementar e não como uma muleta, ela pode auxiliar em muitos sentidos. Agora, tudo vai depender da forma como a instituição trabalha e redige a apostila, e cobra dos professores a sua utilização.

Caso alguém tenha alguma experiência positiva com apostilas e queira compartilhá-la, favor enviar e-mail para reflexoesensino@gmail.com. Eu também nãocomentei nada sobre progressão continuada porque ainda não tenho opinião formada, principalmente porque acho que cada caso é um caso. Se alguém quiser comentar algo ou contar o que acha, pode, além do email, postar um comentário abaixo!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Declaração de Intenções

Este blog é resultado de uma série de debates em torno de Educação, realizadas nas aulas de mestrado em Linguística Aplicada. Ele surgiu de um questionamento um tanto incômodo: qual é o papel da ciência e do jornalismo na divulgação, promoção e mediação de conhecimento? Como boa jornalista récem-formada, acabei achando que deveria haver um espaço fora das salas de aula para que linguistas, professores, educadores discutissem e procurassem informações, relatos, textos acadêmicos e links relacionados aos temas discutidos em  (e sobre) sala de aula. Além disso, acho que algumas informações e discussões encenadas no meio acadêmico deveriam estar mais diponíveis para o maior número de pessoas possível, fazendo com a discussão chega-se e atingisse outros âmbitos.

Os post pretendem, portanto, apresentar textos teóricos, experiências e visões de educação. Toda e qualquer contibuição para o diálogo é importantíssima: estão todos convidados a assumir um posicionamento, defender pontos de vista. Fiquem à vontade, a sala é de vocês.