Mostrando postagens com marcador linguistica aplicada. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador linguistica aplicada. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Questões práticas sobre didática

Outro dia, na aula de Fonética, os alunos começaram a perguntar para professora coisas como:

1) Como posso aplicar em sala de aula os conhecimentos de fonética e fonologia, morfologia e sintaxe que são apresentados na faculdade? Ou seja, para que serve saber de Linguística no cotidiano do professor?

2) De que forma o conhecimento linguístico pode ser transmitido aos alunos? Como ensinar sintaxe e escrita usando as diferentes visões de linguagem e descrições da língua (gramática normativa, gramática de usos, gramática descritiva, gramática funcionalista, gramática sistêmico-funcional, etc.)?

Como o assunto dá pano para manga, ainda mais na USP que não tem um departamento de Linguística Aplicada, as respostas não foram satisfatórias e todos entraram em um consenso de que deveria haver uma disciplina que ensinasse o que fazer com os conhecimentos linguisticos e o ensino de português, ou mesmo qualquer outra língua estrangeira. Também tocamos no assunto de que tais coisas deveriam ser discutidas na aula de Didática, mas que o atual programa dessa disciplina dá conta, apenas, de informar as diferentes linhas teóricas sobre ensino.

Fiquei pensando cá com os meus botões que, se essas questões fossem fáceis de ser resolvidas, ninguém estaria depois fazendo mestrado e doutorado, tentando resolver as mesmas dificuldades e lidando com os mesmos tipos de problema.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Segundo semestre já conta com dois congressos de linguistica

Agenda


1) VI ALSFAL - Conference of the Latin American Systemics Functional Linguistics Association

Systemic Functional Linguistics and its Potential for Semiotic-Discursive Empowerement

Cursos e Workshops: 05 e 06 de outubro de 2010
Conferência: 07 a 09 de outubro de 2010

Local: Fortaleza, Ceará - Universidade Estadual do Ceará (UECE)

Inscrições: http://www.6alsfal-uece.com.br/
Resumos para apresentações devem ser encaminhados de 12/04 a 06/06/2010

Telefone: +55 85 9989 7618
E-mail: info@6alsfal-uece.com.br



2) III Colóqio da ALED Brasil - Associação Latino Americana de Estudos do Discurso

Discurso e Práticas Sociais
Um tributo a Luis Antônio Marcuschi

Data: 13 a 15 de outubro de 2010

Local: Recife, Pernambuco - Universidade Federal de Pernambuco

Inscrições: http://www.aled2010.com.br/
Aceitas até dia 31/05/2010

E-mail: contato@aled2010.com.br

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Primeiros Contatos com Paulo Freire: a Biografia

Paulo Freire talvez seja um desses nomes acadêmicos que povoam o imaginário brasileiro, mas as pessoas não necessariamente sabem o por quê. Resolvi ler, então, a biografia do professor de português, alfabetizador (ou letrador?), escrita por sua segunda esposa, Ana Maria Araújo Freire.

À parte do tom de intimidade entre escritor e objeto de escrita, demonstrando a admiração deslavada entre os amantes, o livro parece um convite à desvendar a história de vida, a formação de um dos maiores educadores do país. O primeiro capítulo traz um breve histórico escolar de Paulo Freire como aluno. É interessante notar que algumas das dificuldades passadas por sua família acabam formatando o seu futuro, já que desde cedo Paulo mostra sua paixão pelos estudos e conhece a família Araújo, para quem passa a trabalhar como professor após o fim da escola.

No entanto, é no segundo capítulo que percebemos os embriões da pedagogia crítica, do desenho de uma teoria/metodologia de educação voltada para toda a família, não só o aluno, e seu viés de esquerda. A intenção das cartas de orientação pedagógica escritas para o Sesi era demonstrar o papel da escola de educar, questionar, engajar pais e familiares nas questões do ambiente escolar (como o que ensinar ou a distribuição de merendas) ou do ambiente familiar (como incentivar seu filho a estudar, como castigá-lo sem violência). Foi após essas cartas, com forte orientação para desalienação social da classes populares, que Paulo Freire foi exilado, em meio à Ditadura Militar.

Talvez esse seja um dos fatos que ofuscou a importância do educador, já que com isso suas teorias e trabalhos acabaram sendo mais divulgados no exterior do que no seu próprio país. Aparentemente (e essa é uma observação impressionística), há um esforço recente de trazer a tona o legado acadêmico de Paulo Freire, uma tentativa de fazer juz ao seu trabalho e repensá-lo, a luz de novas teorias e de novos arranjos sociais no pós-ditadura.



Referências:

Freire, Ana Maria Araújo. 2006. Paulo Freire- Uma História de Vida. Indaiatuba, SP: Villa das Letras.

domingo, 29 de novembro de 2009

Ruminando Escritos Antigos

Estava revendo algumas postagens antigas, do meu outro blog, e dei de encontro com um texto sobre a Intuição. Está baseado em um texto lido e discutido em sala de aula, em uma das aulas de mestrado, mas quando eu escrevi sobre ele não me referi à Educação. Vamos à ele:

A Desmistificação Acadêmica da Intuição

A intuição foi negada pelos iluministas, positivistas e racionalistas em geral como parte constituinte do ser humano. Na era da auto-ajuda, ela se transformou em uma espécie de mantra do sexto-sentido, ligado ao místico e ao inexplicável das sensações humanas. Bem cartomancista e premonitório.


Guy Claxton, um educador inglês, propõe que as escolhas feitas no âmbito profissional sejam mediadas pela intuição, se a tomarmos como sendo a junção do processo racional de apreensão da realidade e conhecimento do mundo e do aspecto emotivo, afetivo e impulsivo da existência.


Essa nova forma de intuição seria constituída por 6 fatores:


  • Expertise: know-how, aprendido pelo estudo e pelas vivências profissionais de cada um;


  • Aprendizado: reconhecimento das variáveis envolvidas, por exemplo, na educação e no processo de ensino/aprendizagem e na formação do ser adulto (crítico, racional, emocional);


  • Julgamento: escolhas e posicionamentos adotados, capacidade de julgar as ações e os fenômenos e agir em resposta;


  • Sensibilidade: percepção aguçada das situações, das emoções, dos acontecimentos ao seu redor;


  • Criatividade e capacidade de resolução de problemas: processo de inovação, mudança e busca de soluções para as situações enfrentadas;


  • Ruminação: reflexão sobre situações, vivências, dificuldades - associada aos sonhos, à imaginação - da qual extraímos o significado e o sentido das ações e suas implicações.


De qualquer forma, segundo Claxton, é preciso tomá-la como uma nova forma de conhecimento e, para isso, é necessário estar aberto às mudanças comportamentais implicadas nessa nova abordagem. As assepções e os comportamentos derivados desse novo método deveriam ser tomados como falíveis, tanto do ponto de vista teórico quanto prático, dando a dimensão de que o conhecimento é uma construção, um processo e que é preciso errar para um dia estar certo, tropeçar para poder levantar.


Fiquei intrigada porque (talvez seja impressão minha) no mundo pós-moderno as ações profissionais estão cada vez mais limitadas pela racionalização do processo, pela maquinicidade da atividade e pela linhas de produção. Será que está nos faltando essa dimensão sensitiva, emocional, esse gut feeling da intuição? Ou somos todos pragmáticos em busca de certos resultados, conseguidos pela subserviência muda aos manuais?


Isso é, então, um convite à ousadia. Não a uma ousadia absolutamente impulsiva e irresponsável, mas àquela dimensão da experimentação em que existem ponderações e autolimitações e existe ainda o espaço do desejo, da vontade, do querer.


Referências:


Claxton, Guy. 2000. The anatomy of intuition. In: The Intuitive Practioner: On the value of not always knowing what one is doing. Buckingham: Open University Press. pp. 33-52.


Guy Claxton Website: http://www.guyclaxton.com/


(Publicado em Uma Abelha Ferro(o)u Minha Campainha, site: http://abelhanacampainha.blogspot.com/ em 14/10/2009).

Agora, se pensarmos na aplicação da intuição dentro da sala de aula, podemos ter como exemplo aquele momento decisório em que uma discussão é interrompida ou instigada porque acredita-se que será frutífera (vale mais a pena deixar correr do que seguir o planejamento de aula) ou perda de tempo completo (a atividade inicialmente programada é mudada na hora). De qualquer forma, estaria relacionada à uma percepção e interpretação do momento e à ação conseguinte.

Eu imagino que muitos professores tenham experiências desse tipo que possam ser compartilhadas. Quem se sentir inclinado à relatá-las, fique à vontade:comentários e e-mails são sempre bem-vindos.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

'Questões' é um termo um pouco vago...

Deu no New York Times, em 14/11: Seeling Lesson Plans Online Raises Cash and Questions. Só pelo título a matéria já me chamou a atenção, afinal, a questão financeira envolvendo a internet e a venda de planejamento de aulas parece ser algo que atrairia muita gente a tentar ganhar dinheiro dessa mesma forma, por mais que esteja indicado que a prática pode ser duvidosa.

Ao terminar de ler, eu vi que a matéria não apresentava dúvidas sobre como esse material deveria ser usado, sendo por exemplo adaptado a cada contexto, a cada sala pelo professor/comprador, mas o grande questionamento era se a propriedade intelectual dos planejamentos de aula de professores da rede pública era deles mesmo, se era correto (do ponto de vista comercial) vender esse tipo de trabalho.

Mas os meus questionamentos são mais direcionados à utilização desses planos de aula. Para alguns, parecia ser somente mais uma fonte para montar as aulas, facilitando o trabalho. Válido e compreensível, já que estava funcionando como uma espécie de relato de experiência do qual todos poderiam tirar proveito. Para outros, a impressão que se têm é a de que o material era utilizado da forma como vinha, já que "reinventar a roda" não faz sentido. E, assim, seria necessário considerar que a realidade sócio-cultural de um país tão grande quanto os EUA (e no Brasil, a meu ver, a coisa é ainda mais complicada) é diversa: alguém  pode imaginar uma professora texana dando a mesma aula que um nova-iorquino? Por que o jornal não explorou os usos desses materiais, apenas as vantagens econômicas para os professores/vendedores?

Do ponto de vista de um jornalismo preocupado com a informação e com a formação crítica dos seus leitores, faltou avaliar o problema da perspectiva de ensino/aprendizagem ou do próprio aluno. Pensando agora na visão da linguística aplicada, seria impossível pensar em um cenário educacional em que planejamentos de aula são vendidos e utilizados da mesma forma em dois ou mais locais com culturas, saberes, facilidades e dificuldades distintos, por professores completamente diferentes. Por princípio, faz parte da atividade profissional montar um planejamento de aula que leve em consideração todas as questões de contexto, na tentativa de se criar um ambiente mais confortável, agradável e propício para os alunos. Uma metodologia de ensino, por exemplo, que busque trazer elementos do cotidiano e da cultura do local para dentro da temática formal da aula.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Reflexão Póstuma

Outro dia escrevi o texto abaixo no meu outro blog (tomei a liberdade de colocar o link também), mas estava lendo e achei o tom da escrita um pouco pretencioso demais. E, durante a leitura, me ocorreu que essa pretensão toda vinha da falta de dizer algo mais importante do que simplesmente corroborar com uma política elitista, faltava defender a democratização de acesso à educação de línguas estrangeiras. Vamos ao texto:

Yes, I speak! Oui, je parle! Si, yo hablo!


Publicado em 26/09/09 no blog Uma abelha ferro(o)u minha campainha 
(http://abelhanacampainha.blogspot.com/)


Outro dia tive uma discussão sobre o uso de estrangeirismos na língua portuguesa, no meio de uma das minhas aulas de mestrado. A questão girava em torno um pouco do papel do linguista, da globalização e da multiplicação dos cursos de inglês. Até que chegamos no tal projeto de Lei do Aldo Rebelo (arquivado, ainda bem), que previa penalidades para os brasileiros que pronunciassem palavras de outras línguas que não o português, e as opiniões foram ficando um pouco mais aciradas.

Usar certas expressões é questão de poder. Falar outras línguas é questão de poder social, econômico e cultural. E, como língua em uso diz tudo como a forma como nos posicionamos perante os outros, eu estava mais do que certa de que cada usuário/falante tem liberdade para fazer da sua boca, da sua língua e da cara/face/persona social o que bem entender. Ninguém controla a boca alheia, por mais que existam penalidades envolvidas. Mas, pensando na preservação da cultura popular e na língua portuguesa, uma professora logo começou a falar que a utilização dos estrangeirismos tinha que ser questionada e debatida e as pessoas deviam ter consciência dos usos. Embora ela tenha se posicionada de forma um pouco nacionalista demais, tentando dizer que o português brasileiro era castiço, a verdade é que a posição que ela tentava defender (um pouco desastradamente) fazia sentido. Será que nós temos consciência de todos os bombardeios culturais e das mudanças que sofremos com a globalização? Não deveríamos ser um pouco mais críticos?

Pois bem, faltou dizer que, enquanto política linguística, o fato de alguém saber falar inglês ou francês acaba sendo um diferencial excludente, porque em um país de desigualdades o acesso às escolas de línguas estrangeiras são diferenciados por classes sociais. Quanto à questão do acesso, e essa argumentação remonta às aulas do mestrado "Globalização e Saber Local", me refiro também ao fato de muitos alunos não entenderem  muito bem qual a razão de se estudar inglês ou espanhol, por mais que esteja no currículo. Será que está faltando marketing para todos comprarem a idéia? Ou o marketing vai fazer com que o  discurso seja meramente repetido (como já acontece), mas não necessariamente assimilado? Quais seriam as melhores estratégias para incluir e engajar alunos das mais diferentes perfis sócio-econômicos e culturais em atividades necessárias em um mundo globalizado?

Ficam as perguntas em aberto, para quem quiser elaborar o raciocínio. Eu ainda estou ruminando...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O que raios é Linguistica Aplicada??

É muito comum as pessoas ficarem me olhando com cara de ué quando eu digo que faço mestrado em linguística aplicada ou quando eu tento explicar o que é que eu faço da vida. Algumas vezes eu faço piada e sigo em frente, outras eu tento explicar e me enrolo toda porque está estampado na cara do outro que não necessariamente ele quer saber ou acompanhar o raciocínio.

Mas vou tentar mais uma vez: Linguística Aplicada é uma ciência, uma área do conhecimento voltada para questões de usos da língua, educação. Todas as pesquisas desenvolvidas na área tem como ponto de partida um problema social (como o discurso constrói a realidade? como as pessoas se comunicam? como ensinar línguas, seja português ou qualquer língua estrangeira?) e a pretensão de chegar em alguma proposta para resolução desse problema.

Por ser transdisciplinar e dialogar com áreas como Filosofia, Antropologia e Sociologia, as pesquisas levam em consideração aspectos culturais e diferenças sociais relacionadas ao uso da linguagem nos seus contextos. O contexto seria, então, o espaço em que certas práticas sociais são realizadas. Está diretamente relacionado às variáveis: quem participa da interação, quem produz, a quem a comunicação é direcionada, como á mensagem é organizada para estabelecer a comunicação de forma eficaz e quais significados estão sendo compartilhados.

Será que deu para criar um quadro geral?

obs: Publicado em Uma abelha ferro(o)u minha campainha em outubro de 2009

Declaração de Intenções

Este blog é resultado de uma série de debates em torno de Educação, realizadas nas aulas de mestrado em Linguística Aplicada. Ele surgiu de um questionamento um tanto incômodo: qual é o papel da ciência e do jornalismo na divulgação, promoção e mediação de conhecimento? Como boa jornalista récem-formada, acabei achando que deveria haver um espaço fora das salas de aula para que linguistas, professores, educadores discutissem e procurassem informações, relatos, textos acadêmicos e links relacionados aos temas discutidos em  (e sobre) sala de aula. Além disso, acho que algumas informações e discussões encenadas no meio acadêmico deveriam estar mais diponíveis para o maior número de pessoas possível, fazendo com a discussão chega-se e atingisse outros âmbitos.

Os post pretendem, portanto, apresentar textos teóricos, experiências e visões de educação. Toda e qualquer contibuição para o diálogo é importantíssima: estão todos convidados a assumir um posicionamento, defender pontos de vista. Fiquem à vontade, a sala é de vocês.