Adorno tem sido uma das referências centrais no curso de Literatura e Educação da USP, principalmente porque ele defende a importância da educação no mundo pós-Auschwitz e a emancipação do indivíduo pelo conhecimento. A sua conclusão principal é a necessidade de mais razão, e não menos, para que situações análogas às vividas na Segunda Guerra Mundial não se repitam na história da humanidade.
A referência a Adorno e a toda Escola de Frankfurt como espinha dorsal do curso pode apontar para uma interpretação equivocada de educação. Primeiramente, porque a Escola de Frankfurt pressupõe uma espécie de passividade e acriticidade do indivíduo frente às estruturas sociais. Esse ponto pode ser suavizado pela argumentação de Adorno com relação à necessidade de emancipação do indivíduo por meio da educação, mas não anula a noção de que somente uma educação formal pode levar à isso. O sociólogo, dessa forma, ressalta a importância da educação sem apresentar um método eficaz ou estratégias a serem colocadas em prática. Nesse sentido, acho problemático uma disciplina de licencatura tomar somente seus textos como referência teórica, reforçando o papel do professor mas não dando ferramentas para que seu trabalho seja desempenhado.
No entanto, a principal questão que me incomodou nas leituras de Adorno é a possibilidade de interpretar a posição do professor como sendo a fonte de conhecimento, e não um mediador. Fica implicado que o professor possui uma capacidade iluminadora e emancipadora em relação aos seus alunos, o que sempre me pareceu uma postura intelectual que na verdade os distancia. Em outras palavras, a leitura deixa margem para pessoas despreparadas interpretarem a função do professor como aquela pessoa que possui todo o conhecimento a ser transmitido aos alunos, eliminando o aspecto dialógico dessa experiência e a forma como os alunos contribuem com o professor e com as aulas.
Talvez seja necessário rever a forma como são abordados determinados conteúdos no currículo das disciplinas de licenciatura, para que elas não sejam apenas um emaranhado de referências teóricas consagradas, Adorno incluído, e se transformem em espaços de discussão um pouco mais voltados para prática. Essa, a meu ver, parece ser a grande esfinge a ser decifrada pelos atuais alunos, futuros professores. Afinal, que professor recém-formado sabe exatamente se a forma como ele aborda os conteúdos é a mais eficaz ou aquela que melhor contribui para a formação de seus alunos?
Existe a possibilidade que a reflexão apresentada aqui não leve a nada e seja só paranóia da minha cabeça.
Vai saber...
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Algumas relações entre notícias
No dia 29/06/2010 foi publicada na Folha de São Paulo a seguinte notícia: Apostila melhora nota de aluno em SP. O resultado da pesquisa, conduzida pelo Fundação Lemann, demonstrou pela primeira vez que o uso de apostilas teria impacto significativo no processo de aprendizagem, aumentando a nota dos alunos na Prova Brasil.
À parte do que pode existir de controverso no uso desses materiais em sala de aula, o resultado apenas mostrou que, em termos de formação de professores, o país ainda tem muito a fazer. Usando o material, o conteúdo de cada aula fica sistematizado e organizado tanto para professores quanto para alunos, destituindo o professor dessa função. Enquanto muitos argumentam que esse seria um engessamento do currículo, a sua utilização mostra que muitos profissionais ainda precisam ser guiados em atividades básicas como a preparação de aulas.
No entanto, meu enfoque nesse texto não será exclusivamente o uso ou não desses materiais e seus impactos em sala de aula. Essa semana saiu a notícia de que a Abril Educação comprou o grupo Anglo, que engloba o Anglo Sistema de Ensino, o Anglo Vestibulares e o Siga, voltado para concursos públicos. A compra tranforma o Abril Educação no segundo maior grupo nesse segmento, e aponta a estratégia da empresa em se tornar o líder do país.
Ambas as notícias, quando colocadas lado a lado, apontam que existe a possibilidade de expansão do ensino apostilado em diferentes âmbitos de ensino, seja ele privado ou público. Talvez seja de interesse das empresas expandir o mercado de venda de apostilas e investir na criação de novos materiais, mas é preciso considerar qual o seu impacto a longo prazo na educação do país. Investir nas apostilas é uma resolução de curto prazo, um mero remendo para um problema que é estrutural. Enquanto os princíos estrurantes não forem reformulados e a educação começar de baixo, sendo vista como um proceso de crescimento do indivíduo e culminando na formação de professores, as estruturas recebem apoios cada vez mais pré-fabricados e insuficientes. Afinal, melhorar notas não é resolver a questão.
À parte do que pode existir de controverso no uso desses materiais em sala de aula, o resultado apenas mostrou que, em termos de formação de professores, o país ainda tem muito a fazer. Usando o material, o conteúdo de cada aula fica sistematizado e organizado tanto para professores quanto para alunos, destituindo o professor dessa função. Enquanto muitos argumentam que esse seria um engessamento do currículo, a sua utilização mostra que muitos profissionais ainda precisam ser guiados em atividades básicas como a preparação de aulas.
No entanto, meu enfoque nesse texto não será exclusivamente o uso ou não desses materiais e seus impactos em sala de aula. Essa semana saiu a notícia de que a Abril Educação comprou o grupo Anglo, que engloba o Anglo Sistema de Ensino, o Anglo Vestibulares e o Siga, voltado para concursos públicos. A compra tranforma o Abril Educação no segundo maior grupo nesse segmento, e aponta a estratégia da empresa em se tornar o líder do país.
Ambas as notícias, quando colocadas lado a lado, apontam que existe a possibilidade de expansão do ensino apostilado em diferentes âmbitos de ensino, seja ele privado ou público. Talvez seja de interesse das empresas expandir o mercado de venda de apostilas e investir na criação de novos materiais, mas é preciso considerar qual o seu impacto a longo prazo na educação do país. Investir nas apostilas é uma resolução de curto prazo, um mero remendo para um problema que é estrutural. Enquanto os princíos estrurantes não forem reformulados e a educação começar de baixo, sendo vista como um proceso de crescimento do indivíduo e culminando na formação de professores, as estruturas recebem apoios cada vez mais pré-fabricados e insuficientes. Afinal, melhorar notas não é resolver a questão.
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quarta-feira, 19 de maio de 2010
Questões práticas sobre didática
Outro dia, na aula de Fonética, os alunos começaram a perguntar para professora coisas como:
1) Como posso aplicar em sala de aula os conhecimentos de fonética e fonologia, morfologia e sintaxe que são apresentados na faculdade? Ou seja, para que serve saber de Linguística no cotidiano do professor?
2) De que forma o conhecimento linguístico pode ser transmitido aos alunos? Como ensinar sintaxe e escrita usando as diferentes visões de linguagem e descrições da língua (gramática normativa, gramática de usos, gramática descritiva, gramática funcionalista, gramática sistêmico-funcional, etc.)?
Como o assunto dá pano para manga, ainda mais na USP que não tem um departamento de Linguística Aplicada, as respostas não foram satisfatórias e todos entraram em um consenso de que deveria haver uma disciplina que ensinasse o que fazer com os conhecimentos linguisticos e o ensino de português, ou mesmo qualquer outra língua estrangeira. Também tocamos no assunto de que tais coisas deveriam ser discutidas na aula de Didática, mas que o atual programa dessa disciplina dá conta, apenas, de informar as diferentes linhas teóricas sobre ensino.
Fiquei pensando cá com os meus botões que, se essas questões fossem fáceis de ser resolvidas, ninguém estaria depois fazendo mestrado e doutorado, tentando resolver as mesmas dificuldades e lidando com os mesmos tipos de problema.
1) Como posso aplicar em sala de aula os conhecimentos de fonética e fonologia, morfologia e sintaxe que são apresentados na faculdade? Ou seja, para que serve saber de Linguística no cotidiano do professor?
2) De que forma o conhecimento linguístico pode ser transmitido aos alunos? Como ensinar sintaxe e escrita usando as diferentes visões de linguagem e descrições da língua (gramática normativa, gramática de usos, gramática descritiva, gramática funcionalista, gramática sistêmico-funcional, etc.)?
Como o assunto dá pano para manga, ainda mais na USP que não tem um departamento de Linguística Aplicada, as respostas não foram satisfatórias e todos entraram em um consenso de que deveria haver uma disciplina que ensinasse o que fazer com os conhecimentos linguisticos e o ensino de português, ou mesmo qualquer outra língua estrangeira. Também tocamos no assunto de que tais coisas deveriam ser discutidas na aula de Didática, mas que o atual programa dessa disciplina dá conta, apenas, de informar as diferentes linhas teóricas sobre ensino.
Fiquei pensando cá com os meus botões que, se essas questões fossem fáceis de ser resolvidas, ninguém estaria depois fazendo mestrado e doutorado, tentando resolver as mesmas dificuldades e lidando com os mesmos tipos de problema.
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Parte da Biblioteca Brasiliana é disponibilizada online
Biblioteca Brasiliana, composta pela coleção do bibliográfo José Mindlin e sua esposa, Guita, foi doada à Universidade de São Paulo e conta com um acervo de 17.000 títulos ou 40.000 volumes. Os títulos incluem obras de literatura brasileira e portuguesa, relatos de viajantes, manuscritos históricos e literários (originais e provas tipográficas), periódicos, livros didáticos e científicos, iconografia (estampas e álbuns ilustrados) e livros de artistas (gravuras). Todos estão sob curadoria da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária, da USP, até a conclusão da construção do prédio da biblioteca.
Enquanto o prédio da não fica pronto, quem tiver curiosidade de ver alguns dos livros pode entrar no site da Brasiliana Digital. Só para citar alguns dos autores, já estão disponíveis livros de Castro Alves, José de Alencar, Augusto dos Anjos, Aloísio Azevedo, Lima Barreto e Machado de Assis.
Vale lembrar que, além de serem clássicos da literatura brasileira, alguns dos livros digitalizados também fazem parte da lista de leitura obrigatória de vestibulares.
Enquanto o prédio da não fica pronto, quem tiver curiosidade de ver alguns dos livros pode entrar no site da Brasiliana Digital. Só para citar alguns dos autores, já estão disponíveis livros de Castro Alves, José de Alencar, Augusto dos Anjos, Aloísio Azevedo, Lima Barreto e Machado de Assis.
Vale lembrar que, além de serem clássicos da literatura brasileira, alguns dos livros digitalizados também fazem parte da lista de leitura obrigatória de vestibulares.
sábado, 1 de maio de 2010
Ministério de Ciência e Tecnologia promove debate sobre inovações na área
A 4a Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Informação pretende estimular debates e consolidar propostas sobre políticas de Estado na área, tendo em vista o Desenvolvimento Sustentável do país. A proposta é unir os âmbitos federal, estadual e municipal no desenvolvimento das políticas públicas, incluindo a sociedade civil no debate. Segundo o convite enviado pelo Ministério, como a intenção é desenvolver uma agenda estretégica para o futuro do Brasil, a participação efetiva de representantes dos órgãos públicos, empresários, comunidade científica e organizações da sociedade civil. é fundamental.
O encontro será em Brasília, entre os dias 26 e 28 de maio. Inscrições podem ser realizados até dia 14 de maio, no site da Conferência ( http://www.cgee.org.br/cncti4/index.php?option=com_content&view=article&id=236&Itemid=117 ), e precisam ser confirmadas via e-mail. Na programação, constam plenárias sobre educação, desigualdade e inclusão social, desenvolvimento e agenda empresarial.
Maiores informações no site: http://www.cgee.org.br/cncti4/
O encontro será em Brasília, entre os dias 26 e 28 de maio. Inscrições podem ser realizados até dia 14 de maio, no site da Conferência ( http://www.cgee.org.br/cncti4/index.php?option=com_content&view=article&id=236&Itemid=117 ), e precisam ser confirmadas via e-mail. Na programação, constam plenárias sobre educação, desigualdade e inclusão social, desenvolvimento e agenda empresarial.
Maiores informações no site: http://www.cgee.org.br/cncti4/
European Research Council ministra palestra para pesquisadores interessados em intercâmbio
O European Research Council ministrará palestra sobre Bolsas de Alto Nível para jovens pesquisadores e pesquisadores confirmados, buscando informar professores, pesquisadores e estudantes de pós-graduação de oportunidades no exterior. A palestra acontecerá na Biblioteca central César Lattes, na UNICAMP, dia 12 de maio as 10 da manhã. O palestrante é o Prof. Dr. Alain Peyraube.
De acordo com o site, o ERC é uma fundação voltada para o financiamento de pesquisas e para o desenvolvimento do conhecimento, incentivando pesquisadores à irem além das divisões disciplinares e trangredirem as soluções pré-estabelecidas e aceitas pela comunidade científica. Partindo do objeto de pesquisa e das análises "bottom-up", a intenção é buscar soluções para os problemas partindo dos dados e não necessariamente do pensamento teórico estabelecido.
Para participar, é preciso confirmar presença por e-mail, enviando para:
mobilidade_estudantil@reitoria.unicamp.br .
Maiores informações no site: http://erc.europa.eu/index.cfm
De acordo com o site, o ERC é uma fundação voltada para o financiamento de pesquisas e para o desenvolvimento do conhecimento, incentivando pesquisadores à irem além das divisões disciplinares e trangredirem as soluções pré-estabelecidas e aceitas pela comunidade científica. Partindo do objeto de pesquisa e das análises "bottom-up", a intenção é buscar soluções para os problemas partindo dos dados e não necessariamente do pensamento teórico estabelecido.
Para participar, é preciso confirmar presença por e-mail, enviando para:
mobilidade_estudantil@reitoria.unicamp.br .
Maiores informações no site: http://erc.europa.eu/index.cfm
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Primeiros Contatos com Paulo Freire: a Biografia
Paulo Freire talvez seja um desses nomes acadêmicos que povoam o imaginário brasileiro, mas as pessoas não necessariamente sabem o por quê. Resolvi ler, então, a biografia do professor de português, alfabetizador (ou letrador?), escrita por sua segunda esposa, Ana Maria Araújo Freire.
À parte do tom de intimidade entre escritor e objeto de escrita, demonstrando a admiração deslavada entre os amantes, o livro parece um convite à desvendar a história de vida, a formação de um dos maiores educadores do país. O primeiro capítulo traz um breve histórico escolar de Paulo Freire como aluno. É interessante notar que algumas das dificuldades passadas por sua família acabam formatando o seu futuro, já que desde cedo Paulo mostra sua paixão pelos estudos e conhece a família Araújo, para quem passa a trabalhar como professor após o fim da escola.
No entanto, é no segundo capítulo que percebemos os embriões da pedagogia crítica, do desenho de uma teoria/metodologia de educação voltada para toda a família, não só o aluno, e seu viés de esquerda. A intenção das cartas de orientação pedagógica escritas para o Sesi era demonstrar o papel da escola de educar, questionar, engajar pais e familiares nas questões do ambiente escolar (como o que ensinar ou a distribuição de merendas) ou do ambiente familiar (como incentivar seu filho a estudar, como castigá-lo sem violência). Foi após essas cartas, com forte orientação para desalienação social da classes populares, que Paulo Freire foi exilado, em meio à Ditadura Militar.
Talvez esse seja um dos fatos que ofuscou a importância do educador, já que com isso suas teorias e trabalhos acabaram sendo mais divulgados no exterior do que no seu próprio país. Aparentemente (e essa é uma observação impressionística), há um esforço recente de trazer a tona o legado acadêmico de Paulo Freire, uma tentativa de fazer juz ao seu trabalho e repensá-lo, a luz de novas teorias e de novos arranjos sociais no pós-ditadura.
Referências:
Freire, Ana Maria Araújo. 2006. Paulo Freire- Uma História de Vida. Indaiatuba, SP: Villa das Letras.
À parte do tom de intimidade entre escritor e objeto de escrita, demonstrando a admiração deslavada entre os amantes, o livro parece um convite à desvendar a história de vida, a formação de um dos maiores educadores do país. O primeiro capítulo traz um breve histórico escolar de Paulo Freire como aluno. É interessante notar que algumas das dificuldades passadas por sua família acabam formatando o seu futuro, já que desde cedo Paulo mostra sua paixão pelos estudos e conhece a família Araújo, para quem passa a trabalhar como professor após o fim da escola.
No entanto, é no segundo capítulo que percebemos os embriões da pedagogia crítica, do desenho de uma teoria/metodologia de educação voltada para toda a família, não só o aluno, e seu viés de esquerda. A intenção das cartas de orientação pedagógica escritas para o Sesi era demonstrar o papel da escola de educar, questionar, engajar pais e familiares nas questões do ambiente escolar (como o que ensinar ou a distribuição de merendas) ou do ambiente familiar (como incentivar seu filho a estudar, como castigá-lo sem violência). Foi após essas cartas, com forte orientação para desalienação social da classes populares, que Paulo Freire foi exilado, em meio à Ditadura Militar.
Talvez esse seja um dos fatos que ofuscou a importância do educador, já que com isso suas teorias e trabalhos acabaram sendo mais divulgados no exterior do que no seu próprio país. Aparentemente (e essa é uma observação impressionística), há um esforço recente de trazer a tona o legado acadêmico de Paulo Freire, uma tentativa de fazer juz ao seu trabalho e repensá-lo, a luz de novas teorias e de novos arranjos sociais no pós-ditadura.
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Freire, Ana Maria Araújo. 2006. Paulo Freire- Uma História de Vida. Indaiatuba, SP: Villa das Letras.
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Dicas de leitura organizada por idade podem auxiliar professor e pais
Existe sempre uma dúvida no ar quando pais levam seus filhos para comprar um livro em alguma livraria ou professores fazem planejamento de aula para o próximo ano. Vai então uma dica: A Fundação Victor Civita, vinculada a Editora Abril, tem várias iniciativas voltadas para Educação, entre elas dicas de livros que podem ser lidos por crianças e jovens de 02 a 18 anos, publicadas no site do projeto "Educar para crescer". O projeto engloba diversas atividades, como o desenvolvimento de blogs, material didático e textos sobre aprendizagem e leitura com orientãções para os pais.
Ainda não dei uma lida no material que me mandaram, mas estou divulgando o site porque existe a possibilidade de alguém fazer bom uso dessas informações. Para quem não sabe, a editora Abril é responsável pela publicação da revista Nova Escola. Outra possível fonte, que eu também não cheguei a ver ainda.
Se mais alguém souber de alguma coisa legal, é só mandar...
ps: Lulu, querida, obrigada pela dica!
Ainda não dei uma lida no material que me mandaram, mas estou divulgando o site porque existe a possibilidade de alguém fazer bom uso dessas informações. Para quem não sabe, a editora Abril é responsável pela publicação da revista Nova Escola. Outra possível fonte, que eu também não cheguei a ver ainda.
Se mais alguém souber de alguma coisa legal, é só mandar...
ps: Lulu, querida, obrigada pela dica!
domingo, 6 de dezembro de 2009
Mais notícias!
Ministério da Educação manda projeto para o Congresso para alterar a legislação, estabelecendo idade máxima em 6 anos para a criança entrar na escola pública ou particular no primeiro ano do ensino fundamental. Atualmente, cada Conselho Estadual de Educação é responsável por fixar essa idade. O problema apresentado pela matéria é que muitos alunos, com a mudança do sistema (1a a 8a série para 1 a 9 ano), devem acabar o ensino fundamental aos 15 anos.
Embora a resolução possa representar uma mudança para muitos alunos, não sei se ela seria significativa. Não consigo enxergar como a medida seria um problema, propriamente dito. (Se alguém conseguir, por favor me explique). Se for meramente uma questão de idade, talvez seja melhor que os alunos cheguem mais maduros ao ensino médio, tendo mais tempo para pensar sobre carreiras e profissões possíveis. Em termos práticos, em nada vai alterar a vida da classe média ou alta. Talvez interfira nas classes sociais mais desfarovecidas, afinal, a previsão é que o aluno passe um ano a mais estudando ao invés de trabalhar período integral e contribuir para as finanças da família. E essa foi a única implicação possível dessa medida em que eu consegui pensar. Alguém consegue pensar em mais alguma?? Algum comentário??
Embora a resolução possa representar uma mudança para muitos alunos, não sei se ela seria significativa. Não consigo enxergar como a medida seria um problema, propriamente dito. (Se alguém conseguir, por favor me explique). Se for meramente uma questão de idade, talvez seja melhor que os alunos cheguem mais maduros ao ensino médio, tendo mais tempo para pensar sobre carreiras e profissões possíveis. Em termos práticos, em nada vai alterar a vida da classe média ou alta. Talvez interfira nas classes sociais mais desfarovecidas, afinal, a previsão é que o aluno passe um ano a mais estudando ao invés de trabalhar período integral e contribuir para as finanças da família. E essa foi a única implicação possível dessa medida em que eu consegui pensar. Alguém consegue pensar em mais alguma?? Algum comentário??
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Sobre a possibilidade de fechamento da melhor escola pública, de acordo com Saresp 2008
Estava calmamente lendo a Folha, quando surgiu uma notícia completamente ilógica na minha frente: a escola estadual de ensino médio que conseguiu melhor nota no Saresp em 2008 está para ser fechada pelo próprio governo paulista, por falta de alunos. Localizada no Butantã, a escola estadual Alberto Torres não deve oferecer aulas em 2010, sendo assim a recomendação é que pais e alunos procurem outra escola na região.
Em outubro, pais, alunos, professores e funcionários foram convocados para uma reunião pela vice-diretora, Eunice Ramos, e um representante da Diretoria de Ensino da Região Centro-Oeste, na qual foram informados da decisão de fechamento da escola.
O jornal relata que, segundo a Secretaria da Educação do Estado, a decisão de fechamento da unidade cabe a Paulo Renato, secretário da educação, e nada está decidido ainda. Os gastos com a unidade estão sendo analisados, já que houve uma queda de 73% no número de alunos matriculados desde 2005 e há salas vazias. Segundo a reportagem, a vice-diretora Eunice Ramos não foi orientada a fazer nenhuma reunião para anunciar o fechamento do colégio.
Mais uma vez, a discussão gira em torno do aspecto mercantil da educação e em nenhum momento se questionou a razão da escola ser considerada a melhor no Saresp ou se este não seria um motivo central para manutenção do colégio. Um dos fatores que pode contribuir para a qualidade do ensino é a quantidade de alunos em sala de aula. Com classes menores, os professores podem dar uma atenção mais dirigida a cada aluno, criando uma relação mais próxima e até mesmo afetiva. Além da possibilidade dos professores terem tempo para buscar cursos de formação continuada, mestrado ou doutorado e elaborarem melhor as aulas, tendo em vista que a demanda pelo trabalho fora da sala de aula (corrigir provas e trabalhos, por exemplo) diminuiu nos últimos anos.
Talvez existam mais fatores envolvidos, mas por enquanto não consegui pensar em nenhum. Se alguém quiser expôr seus pontos de vista, é só postar um comentário ou mandar e-mail.
Em outubro, pais, alunos, professores e funcionários foram convocados para uma reunião pela vice-diretora, Eunice Ramos, e um representante da Diretoria de Ensino da Região Centro-Oeste, na qual foram informados da decisão de fechamento da escola.
O jornal relata que, segundo a Secretaria da Educação do Estado, a decisão de fechamento da unidade cabe a Paulo Renato, secretário da educação, e nada está decidido ainda. Os gastos com a unidade estão sendo analisados, já que houve uma queda de 73% no número de alunos matriculados desde 2005 e há salas vazias. Segundo a reportagem, a vice-diretora Eunice Ramos não foi orientada a fazer nenhuma reunião para anunciar o fechamento do colégio.
Mais uma vez, a discussão gira em torno do aspecto mercantil da educação e em nenhum momento se questionou a razão da escola ser considerada a melhor no Saresp ou se este não seria um motivo central para manutenção do colégio. Um dos fatores que pode contribuir para a qualidade do ensino é a quantidade de alunos em sala de aula. Com classes menores, os professores podem dar uma atenção mais dirigida a cada aluno, criando uma relação mais próxima e até mesmo afetiva. Além da possibilidade dos professores terem tempo para buscar cursos de formação continuada, mestrado ou doutorado e elaborarem melhor as aulas, tendo em vista que a demanda pelo trabalho fora da sala de aula (corrigir provas e trabalhos, por exemplo) diminuiu nos últimos anos.
Talvez existam mais fatores envolvidos, mas por enquanto não consegui pensar em nenhum. Se alguém quiser expôr seus pontos de vista, é só postar um comentário ou mandar e-mail.
domingo, 29 de novembro de 2009
Ruminando Escritos Antigos
Estava revendo algumas postagens antigas, do meu outro blog, e dei de encontro com um texto sobre a Intuição. Está baseado em um texto lido e discutido em sala de aula, em uma das aulas de mestrado, mas quando eu escrevi sobre ele não me referi à Educação. Vamos à ele:
A Desmistificação Acadêmica da Intuição
A intuição foi negada pelos iluministas, positivistas e racionalistas em geral como parte constituinte do ser humano. Na era da auto-ajuda, ela se transformou em uma espécie de mantra do sexto-sentido, ligado ao místico e ao inexplicável das sensações humanas. Bem cartomancista e premonitório.
Guy Claxton, um educador inglês, propõe que as escolhas feitas no âmbito profissional sejam mediadas pela intuição, se a tomarmos como sendo a junção do processo racional de apreensão da realidade e conhecimento do mundo e do aspecto emotivo, afetivo e impulsivo da existência.
Essa nova forma de intuição seria constituída por 6 fatores:
De qualquer forma, segundo Claxton, é preciso tomá-la como uma nova forma de conhecimento e, para isso, é necessário estar aberto às mudanças comportamentais implicadas nessa nova abordagem. As assepções e os comportamentos derivados desse novo método deveriam ser tomados como falíveis, tanto do ponto de vista teórico quanto prático, dando a dimensão de que o conhecimento é uma construção, um processo e que é preciso errar para um dia estar certo, tropeçar para poder levantar.
Fiquei intrigada porque (talvez seja impressão minha) no mundo pós-moderno as ações profissionais estão cada vez mais limitadas pela racionalização do processo, pela maquinicidade da atividade e pela linhas de produção. Será que está nos faltando essa dimensão sensitiva, emocional, esse gut feeling da intuição? Ou somos todos pragmáticos em busca de certos resultados, conseguidos pela subserviência muda aos manuais?
Isso é, então, um convite à ousadia. Não a uma ousadia absolutamente impulsiva e irresponsável, mas àquela dimensão da experimentação em que existem ponderações e autolimitações e existe ainda o espaço do desejo, da vontade, do querer.
Referências:
Claxton, Guy. 2000. The anatomy of intuition. In: The Intuitive Practioner: On the value of not always knowing what one is doing. Buckingham: Open University Press. pp. 33-52.
Guy Claxton Website: http://www.guyclaxton.com/
(Publicado em Uma Abelha Ferro(o)u Minha Campainha, site: http://abelhanacampainha.blogspot.com/ em 14/10/2009).
Agora, se pensarmos na aplicação da intuição dentro da sala de aula, podemos ter como exemplo aquele momento decisório em que uma discussão é interrompida ou instigada porque acredita-se que será frutífera (vale mais a pena deixar correr do que seguir o planejamento de aula) ou perda de tempo completo (a atividade inicialmente programada é mudada na hora). De qualquer forma, estaria relacionada à uma percepção e interpretação do momento e à ação conseguinte.
Eu imagino que muitos professores tenham experiências desse tipo que possam ser compartilhadas. Quem se sentir inclinado à relatá-las, fique à vontade:comentários e e-mails são sempre bem-vindos.
A Desmistificação Acadêmica da Intuição
A intuição foi negada pelos iluministas, positivistas e racionalistas em geral como parte constituinte do ser humano. Na era da auto-ajuda, ela se transformou em uma espécie de mantra do sexto-sentido, ligado ao místico e ao inexplicável das sensações humanas. Bem cartomancista e premonitório.
Guy Claxton, um educador inglês, propõe que as escolhas feitas no âmbito profissional sejam mediadas pela intuição, se a tomarmos como sendo a junção do processo racional de apreensão da realidade e conhecimento do mundo e do aspecto emotivo, afetivo e impulsivo da existência.
Essa nova forma de intuição seria constituída por 6 fatores:
- Expertise: know-how, aprendido pelo estudo e pelas vivências profissionais de cada um;
- Aprendizado: reconhecimento das variáveis envolvidas, por exemplo, na educação e no processo de ensino/aprendizagem e na formação do ser adulto (crítico, racional, emocional);
- Julgamento: escolhas e posicionamentos adotados, capacidade de julgar as ações e os fenômenos e agir em resposta;
- Sensibilidade: percepção aguçada das situações, das emoções, dos acontecimentos ao seu redor;
- Criatividade e capacidade de resolução de problemas: processo de inovação, mudança e busca de soluções para as situações enfrentadas;
- Ruminação: reflexão sobre situações, vivências, dificuldades - associada aos sonhos, à imaginação - da qual extraímos o significado e o sentido das ações e suas implicações.
De qualquer forma, segundo Claxton, é preciso tomá-la como uma nova forma de conhecimento e, para isso, é necessário estar aberto às mudanças comportamentais implicadas nessa nova abordagem. As assepções e os comportamentos derivados desse novo método deveriam ser tomados como falíveis, tanto do ponto de vista teórico quanto prático, dando a dimensão de que o conhecimento é uma construção, um processo e que é preciso errar para um dia estar certo, tropeçar para poder levantar.
Fiquei intrigada porque (talvez seja impressão minha) no mundo pós-moderno as ações profissionais estão cada vez mais limitadas pela racionalização do processo, pela maquinicidade da atividade e pela linhas de produção. Será que está nos faltando essa dimensão sensitiva, emocional, esse gut feeling da intuição? Ou somos todos pragmáticos em busca de certos resultados, conseguidos pela subserviência muda aos manuais?
Isso é, então, um convite à ousadia. Não a uma ousadia absolutamente impulsiva e irresponsável, mas àquela dimensão da experimentação em que existem ponderações e autolimitações e existe ainda o espaço do desejo, da vontade, do querer.
Referências:
Claxton, Guy. 2000. The anatomy of intuition. In: The Intuitive Practioner: On the value of not always knowing what one is doing. Buckingham: Open University Press. pp. 33-52.
Guy Claxton Website: http://www.guyclaxton.com/
(Publicado em Uma Abelha Ferro(o)u Minha Campainha, site: http://abelhanacampainha.blogspot.com/ em 14/10/2009).
Agora, se pensarmos na aplicação da intuição dentro da sala de aula, podemos ter como exemplo aquele momento decisório em que uma discussão é interrompida ou instigada porque acredita-se que será frutífera (vale mais a pena deixar correr do que seguir o planejamento de aula) ou perda de tempo completo (a atividade inicialmente programada é mudada na hora). De qualquer forma, estaria relacionada à uma percepção e interpretação do momento e à ação conseguinte.
Eu imagino que muitos professores tenham experiências desse tipo que possam ser compartilhadas. Quem se sentir inclinado à relatá-las, fique à vontade:comentários e e-mails são sempre bem-vindos.
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Informações Cibernéticas
Recebi pelo twitter uma notícia curiosa: existe uma lei que torna obrigatório no ensino fundamental e médio o ensino de história e cultura africanas. Justo, já que é uma cultura influente na formação do que seria a identidade brasileira, por motivos históricos obviamente. Porém, mais importante do que dar valor à cultura de um continente pela mera inserção obrigatória no currículo, talvez fosse necessário pensar de que forma diferentes conteúdos poderiam ser trabalhados em sala de aula para que a discussão não seja apenas uma atividade que cumpra com a agenda, mas sim que instigue o raciocínio dos alunos, que traga à tona discussões em torno de temáticas como cidadania, colonização, preconceito, desigualdades sociais, combate à AIDS, fome. Ou seja, é insuficiente falar de um ensino que não seja transdisciplinar e mostre a pluralidade do mundo, as múltiplas interpretações e enfoques de estudo.
Esse assunto daria margem à inúmeras discussões... Fica uma pergunta: será que o mais importante é o quê ou o como a gente faz as coisas dentro da sala de aula? Impossível separar as duas coisas?
Esse assunto daria margem à inúmeras discussões... Fica uma pergunta: será que o mais importante é o quê ou o como a gente faz as coisas dentro da sala de aula? Impossível separar as duas coisas?
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Reflexão Póstuma
Outro dia escrevi o texto abaixo no meu outro blog (tomei a liberdade de colocar o link também), mas estava lendo e achei o tom da escrita um pouco pretencioso demais. E, durante a leitura, me ocorreu que essa pretensão toda vinha da falta de dizer algo mais importante do que simplesmente corroborar com uma política elitista, faltava defender a democratização de acesso à educação de línguas estrangeiras. Vamos ao texto:
Yes, I speak! Oui, je parle! Si, yo hablo!
Publicado em 26/09/09 no blog Uma abelha ferro(o)u minha campainha
(http://abelhanacampainha.blogspot.com/)
Outro dia tive uma discussão sobre o uso de estrangeirismos na língua portuguesa, no meio de uma das minhas aulas de mestrado. A questão girava em torno um pouco do papel do linguista, da globalização e da multiplicação dos cursos de inglês. Até que chegamos no tal projeto de Lei do Aldo Rebelo (arquivado, ainda bem), que previa penalidades para os brasileiros que pronunciassem palavras de outras línguas que não o português, e as opiniões foram ficando um pouco mais aciradas.
Usar certas expressões é questão de poder. Falar outras línguas é questão de poder social, econômico e cultural. E, como língua em uso diz tudo como a forma como nos posicionamos perante os outros, eu estava mais do que certa de que cada usuário/falante tem liberdade para fazer da sua boca, da sua língua e da cara/face/persona social o que bem entender. Ninguém controla a boca alheia, por mais que existam penalidades envolvidas. Mas, pensando na preservação da cultura popular e na língua portuguesa, uma professora logo começou a falar que a utilização dos estrangeirismos tinha que ser questionada e debatida e as pessoas deviam ter consciência dos usos. Embora ela tenha se posicionada de forma um pouco nacionalista demais, tentando dizer que o português brasileiro era castiço, a verdade é que a posição que ela tentava defender (um pouco desastradamente) fazia sentido. Será que nós temos consciência de todos os bombardeios culturais e das mudanças que sofremos com a globalização? Não deveríamos ser um pouco mais críticos?
Pois bem, faltou dizer que, enquanto política linguística, o fato de alguém saber falar inglês ou francês acaba sendo um diferencial excludente, porque em um país de desigualdades o acesso às escolas de línguas estrangeiras são diferenciados por classes sociais. Quanto à questão do acesso, e essa argumentação remonta às aulas do mestrado "Globalização e Saber Local", me refiro também ao fato de muitos alunos não entenderem muito bem qual a razão de se estudar inglês ou espanhol, por mais que esteja no currículo. Será que está faltando marketing para todos comprarem a idéia? Ou o marketing vai fazer com que o discurso seja meramente repetido (como já acontece), mas não necessariamente assimilado? Quais seriam as melhores estratégias para incluir e engajar alunos das mais diferentes perfis sócio-econômicos e culturais em atividades necessárias em um mundo globalizado?
Ficam as perguntas em aberto, para quem quiser elaborar o raciocínio. Eu ainda estou ruminando...
Yes, I speak! Oui, je parle! Si, yo hablo!
Publicado em 26/09/09 no blog Uma abelha ferro(o)u minha campainha
(http://abelhanacampainha.blogspot.com/)
Outro dia tive uma discussão sobre o uso de estrangeirismos na língua portuguesa, no meio de uma das minhas aulas de mestrado. A questão girava em torno um pouco do papel do linguista, da globalização e da multiplicação dos cursos de inglês. Até que chegamos no tal projeto de Lei do Aldo Rebelo (arquivado, ainda bem), que previa penalidades para os brasileiros que pronunciassem palavras de outras línguas que não o português, e as opiniões foram ficando um pouco mais aciradas.
Usar certas expressões é questão de poder. Falar outras línguas é questão de poder social, econômico e cultural. E, como língua em uso diz tudo como a forma como nos posicionamos perante os outros, eu estava mais do que certa de que cada usuário/falante tem liberdade para fazer da sua boca, da sua língua e da cara/face/persona social o que bem entender. Ninguém controla a boca alheia, por mais que existam penalidades envolvidas. Mas, pensando na preservação da cultura popular e na língua portuguesa, uma professora logo começou a falar que a utilização dos estrangeirismos tinha que ser questionada e debatida e as pessoas deviam ter consciência dos usos. Embora ela tenha se posicionada de forma um pouco nacionalista demais, tentando dizer que o português brasileiro era castiço, a verdade é que a posição que ela tentava defender (um pouco desastradamente) fazia sentido. Será que nós temos consciência de todos os bombardeios culturais e das mudanças que sofremos com a globalização? Não deveríamos ser um pouco mais críticos?
Pois bem, faltou dizer que, enquanto política linguística, o fato de alguém saber falar inglês ou francês acaba sendo um diferencial excludente, porque em um país de desigualdades o acesso às escolas de línguas estrangeiras são diferenciados por classes sociais. Quanto à questão do acesso, e essa argumentação remonta às aulas do mestrado "Globalização e Saber Local", me refiro também ao fato de muitos alunos não entenderem muito bem qual a razão de se estudar inglês ou espanhol, por mais que esteja no currículo. Será que está faltando marketing para todos comprarem a idéia? Ou o marketing vai fazer com que o discurso seja meramente repetido (como já acontece), mas não necessariamente assimilado? Quais seriam as melhores estratégias para incluir e engajar alunos das mais diferentes perfis sócio-econômicos e culturais em atividades necessárias em um mundo globalizado?
Ficam as perguntas em aberto, para quem quiser elaborar o raciocínio. Eu ainda estou ruminando...
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terça-feira, 17 de novembro de 2009
Alguns comentários sobre o Caderno Saber - Folha de São Paulo
A Folha de São Paulo lançou na semana passada uma seção especializada em educação , denominada Saber, a ser publicada toda segunda-feira junto do caderno de Cotidiano. Os primeiros textos ( " 7 mitos da educação" e "Verdade ou Mentira" de 09/11/09) foram um gesto ousado, porque fazem um revisão de 7 pontos tidos como principais para a mudança da Educação no Brasil e tentam desmistificá-los enquanto soluções práticas eficazes, pelo menos a curto prazo.
São eles (da forma como o jornal escreveu):
1) Só pagar melhor oprofessor já melhora o aprendizado
2) Melhorar a infraestrutura da escola tem impacto positivo no desempenho dos alunos
3) A Progressão Continuada contribui para piorar aqualidade do ensino
4) Cursos de reciclagem para professores ajudam a melhorar o ensino
5) Gastar mais com educação é suficiente para aumentar o aprendizado dos alunos
6) A escola não pode ajudar filhos de famílias desestruturadas
7) Sistemas de ensino apostilados tolhem aautonomia do professor
Em primeiro lugar, as escolhas lexicais do texto são totalmente inapropriadas. O aprendizado, por exemplo, é algo que pode ser piorado e melhorado como se pudessemos aumentar ou diminuir o volume. Parece algo estático, perdendo a dimensão da construção conjunta do conhecimento, do seu caráter processual e dialógico, que ocorre entre indivíduos com facilidades e dificuldades. O professor, nesse sentido, deveria ser somente um mediador do conhecimento e não uma autoridade no assunto, do qual os alunos não se aproximam e não conseguem expressar seus desejos e, ao mesmo tempo, as suas necessidades de aprendizagem.
Outro problema é a utilização do termo como "famílias desestruturadas", porque parte-se do pressusposto, de que existe um padrão de família correto, estruturado, normal e perfeito. Em um mundo plural como o contemporâneo, em que pais e mães separam-se, casam-se novamente e, pode acontecer, seu melhor amigo vira seu irmão de papel passado, é impossível pensar que exista um padrão. E, mais do que isso, é impossível pensar em uma escola que não cumpra seu papel na formação do cidadão, nesse caso, consciente das mudanças comportamentais e culturais do seu tempo em relação ao passado. Aceitar o próximo e a diversidade pode ser filosofia religiosa milenar, mas isso não quer dizer que não precise mais ser ensinada. Muito pelo contrário.
A discussão em torno dos aspectos financeiros tocou em quatro pontos importantes: salário de professor, reciclagem de professor, investimento estatal e infraestrutura. Embora elas sejam tidas como soluções ineficientes caso aplicadas isoladas, é importante pensar que a motivação do professor para realizar o seu trabalho depende (não somente, mas também) do respeito social em torno da sua profissão, cujo parâmetro atual perpassa o valor financeiro do seu trabalho. A reciclagem e a atualização dos seus conhecimentos está necessariamente levando em consideração a sua necessidade de acompanhar as mais recentes tendências, estimulando a reflexão constante sobre a sua prática e buscando soluções para o desenvolvimento dos alunos. A infraestrutura de uma escola deveria propiciar e incentivar os alunos à buscar conhecimento, saber. O mínimo, como a substituição das escolas de lata, proposta em projeto da prefeitura de São Paulo, deveria ser feito. Isso sem falar na implementação de computadores em áreas de fácil acesso, já que a internet tornou-se fonte de estudos e de informações globais. Obviamente que só o investimento financeiro não é suficiente, mas ele faz parte de um conjunto de ações necessárias.
Por fim, a utilização das apostilas pode ser um item facilitador da atividade do professor ao apresentar uma síntese de todos os conteúdos a serem trabalhados e propostas de atividades a serem desenvolvidas, contato que sejam utilizadas com parcimônia. Na sua sala de aula, o professor deve ter liberdade para trabalhar esses conteúdos da forma que lhe parecer mais conveniente, alterando por exemplo a ordem das aulas ou pulando algumas partes e exercícios considerados impróprios. Se a apostila for utilizada como algo complementar e não como uma muleta, ela pode auxiliar em muitos sentidos. Agora, tudo vai depender da forma como a instituição trabalha e redige a apostila, e cobra dos professores a sua utilização.
Caso alguém tenha alguma experiência positiva com apostilas e queira compartilhá-la, favor enviar e-mail para reflexoesensino@gmail.com. Eu também nãocomentei nada sobre progressão continuada porque ainda não tenho opinião formada, principalmente porque acho que cada caso é um caso. Se alguém quiser comentar algo ou contar o que acha, pode, além do email, postar um comentário abaixo!
São eles (da forma como o jornal escreveu):
1) Só pagar melhor o
2) Melhorar a infraestrutura da escola tem impacto positivo no desempenho dos alunos
3) A Progressão Continuada contribui para piorar a
4) Cursos de reciclagem para professores ajudam a melhorar o ensino
5) Gastar mais com educação é suficiente para aumentar o aprendizado dos alunos
6) A escola não pode ajudar filhos de famílias desestruturadas
7) Sistemas de ensino apostilados tolhem a
Em primeiro lugar, as escolhas lexicais do texto são totalmente inapropriadas. O aprendizado, por exemplo, é algo que pode ser piorado e melhorado como se pudessemos aumentar ou diminuir o volume. Parece algo estático, perdendo a dimensão da construção conjunta do conhecimento, do seu caráter processual e dialógico, que ocorre entre indivíduos com facilidades e dificuldades. O professor, nesse sentido, deveria ser somente um mediador do conhecimento e não uma autoridade no assunto, do qual os alunos não se aproximam e não conseguem expressar seus desejos e, ao mesmo tempo, as suas necessidades de aprendizagem.
Outro problema é a utilização do termo como "famílias desestruturadas", porque parte-se do pressusposto, de que existe um padrão de família correto, estruturado, normal e perfeito. Em um mundo plural como o contemporâneo, em que pais e mães separam-se, casam-se novamente e, pode acontecer, seu melhor amigo vira seu irmão de papel passado, é impossível pensar que exista um padrão. E, mais do que isso, é impossível pensar em uma escola que não cumpra seu papel na formação do cidadão, nesse caso, consciente das mudanças comportamentais e culturais do seu tempo em relação ao passado. Aceitar o próximo e a diversidade pode ser filosofia religiosa milenar, mas isso não quer dizer que não precise mais ser ensinada. Muito pelo contrário.
A discussão em torno dos aspectos financeiros tocou em quatro pontos importantes: salário de professor, reciclagem de professor, investimento estatal e infraestrutura. Embora elas sejam tidas como soluções ineficientes caso aplicadas isoladas, é importante pensar que a motivação do professor para realizar o seu trabalho depende (não somente, mas também) do respeito social em torno da sua profissão, cujo parâmetro atual perpassa o valor financeiro do seu trabalho. A reciclagem e a atualização dos seus conhecimentos está necessariamente levando em consideração a sua necessidade de acompanhar as mais recentes tendências, estimulando a reflexão constante sobre a sua prática e buscando soluções para o desenvolvimento dos alunos. A infraestrutura de uma escola deveria propiciar e incentivar os alunos à buscar conhecimento, saber. O mínimo, como a substituição das escolas de lata, proposta em projeto da prefeitura de São Paulo, deveria ser feito. Isso sem falar na implementação de computadores em áreas de fácil acesso, já que a internet tornou-se fonte de estudos e de informações globais. Obviamente que só o investimento financeiro não é suficiente, mas ele faz parte de um conjunto de ações necessárias.
Por fim, a utilização das apostilas pode ser um item facilitador da atividade do professor ao apresentar uma síntese de todos os conteúdos a serem trabalhados e propostas de atividades a serem desenvolvidas, contato que sejam utilizadas com parcimônia. Na sua sala de aula, o professor deve ter liberdade para trabalhar esses conteúdos da forma que lhe parecer mais conveniente, alterando por exemplo a ordem das aulas ou pulando algumas partes e exercícios considerados impróprios. Se a apostila for utilizada como algo complementar e não como uma muleta, ela pode auxiliar em muitos sentidos. Agora, tudo vai depender da forma como a instituição trabalha e redige a apostila, e cobra dos professores a sua utilização.
Caso alguém tenha alguma experiência positiva com apostilas e queira compartilhá-la, favor enviar e-mail para reflexoesensino@gmail.com. Eu também nãocomentei nada sobre progressão continuada porque ainda não tenho opinião formada, principalmente porque acho que cada caso é um caso. Se alguém quiser comentar algo ou contar o que acha, pode, além do email, postar um comentário abaixo!
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Indignação Passageira
Outro dia, em um dos diários reflexivos que eu tenho que escrever para disciplina de Saber Local e Globalização , eu soltei a indignação de um semestre inteiro por perceber que estávamos falando somente de formação de professor (em uma disciplina voltada para esse tema) e não estávamos pensando em delegar certas tarefas para os diretores das escolas, as editoras de material didático, os psicólogos escolares e todos os outros possíveis participantes dessa estrutura de organização escolar.
Estava relendo o texto hoje e percebi que o tom do diário estava um pouco agressivo e me dei conta da aflição em que eu fiquei por discutir aspectos negativos da escola em sua atual composição e o papel doprofessor , porque a impressão que se tem é que no final das contas é só ele quem pode fazer as mudanças necessárias. Depois me caiu a ficha de que estávamos em uma disciplina voltada para a formação de professores e que, na verdade, a discussão colocada não eximia em nada as responsabilidades da escola e dos outros profissionais.
Mas vou me aproveitar da minha indignação para discutir outros aspectos do processo de aprendizagem, que fazem parte da vida e do cotidiano dos alunos fora da sala de aula, e estão fora da alçada do professor, sendo de responsabilidade total e irrestrita dos pais, avós, irmãos, parentes diretos, pessoas com quem as crianças/adolescentes convivem.
Às vezes eu vejo pais que não lêem uma linha do jornal ou um livro que seja e cobram que seus filhos saibam na ponta da língua as respostas de vestibular sobre "Macunaíma" de Mário de Andrade ou "Os Lusíadas" de Camões. Vamos combinar? Livros chatos ao quadrado. Mas, se esse indivíduo nunca tomou conhecimento de alguém que incorpore leituras no seu cotidiano e que mostre o valor da informação e do conhecimento na sociedade contemporânea, não vai ser o discurso do professor na sala de aula que vai mudar os hábitos do aluno. Tem certas tarefas, às vezes tidas como hercúleas, nas quais a interferência e o estímulo paternal está diretamente relacionado ao resultado final no processo de ensino/aprendizagem de crianças, jovens e adolescentes.
O esforço conjunto entre escola e família é algo reconhecidamente importante. Será que, enquanto pais e educadores, podemos começar em estabelecer um diálogo que resulte em práticas conjuntas?
Estava relendo o texto hoje e percebi que o tom do diário estava um pouco agressivo e me dei conta da aflição em que eu fiquei por discutir aspectos negativos da escola em sua atual composição e o papel do
Mas vou me aproveitar da minha indignação para discutir outros aspectos do processo de aprendizagem, que fazem parte da vida e do cotidiano dos alunos fora da sala de aula, e estão fora da alçada do professor, sendo de responsabilidade total e irrestrita dos pais, avós, irmãos, parentes diretos, pessoas com quem as crianças/adolescentes convivem.
Às vezes eu vejo pais que não lêem uma linha do jornal ou um livro que seja e cobram que seus filhos saibam na ponta da língua as respostas de vestibular sobre "Macunaíma" de Mário de Andrade ou "Os Lusíadas" de Camões. Vamos combinar? Livros chatos ao quadrado. Mas, se esse indivíduo nunca tomou conhecimento de alguém que incorpore leituras no seu cotidiano e que mostre o valor da informação e do conhecimento na sociedade contemporânea, não vai ser o discurso do professor na sala de aula que vai mudar os hábitos do aluno. Tem certas tarefas, às vezes tidas como hercúleas, nas quais a interferência e o estímulo paternal está diretamente relacionado ao resultado final no processo de ensino/aprendizagem de crianças, jovens e adolescentes.
O esforço conjunto entre escola e família é algo reconhecidamente importante. Será que, enquanto pais e educadores, podemos começar em estabelecer um diálogo que resulte em práticas conjuntas?
O que raios é Linguistica Aplicada??
É muito comum as pessoas ficarem me olhando com cara de ué quando eu digo que faço mestrado em linguística aplicada ou quando eu tento explicar o que é que eu faço da vida. Algumas vezes eu faço piada e sigo em frente, outras eu tento explicar e me enrolo toda porque está estampado na cara do outro que não necessariamente ele quer saber ou acompanhar o raciocínio.
Mas vou tentar mais uma vez: Linguística Aplicada é uma ciência, uma área do conhecimento voltada para questões de usos da língua,educação . Todas as pesquisas desenvolvidas na área tem como ponto de partida um problema social (como o discurso constrói a realidade? como as pessoas se comunicam? como ensinar línguas, seja português ou qualquer língua estrangeira?) e a pretensão de chegar em alguma proposta para resolução desse problema.
Por ser transdisciplinar e dialogar com áreas como Filosofia, Antropologia e Sociologia, as pesquisas levam em consideração aspectos culturais e diferenças sociais relacionadas ao uso da linguagem nos seus contextos. O contexto seria, então, o espaço em que certas práticas sociais são realizadas. Está diretamente relacionado às variáveis: quem participa da interação, quem produz, a quem a comunicação é direcionada, como á mensagem é organizada para estabelecer a comunicação de forma eficaz e quais significados estão sendo compartilhados.
Será que deu para criar um quadro geral?
obs: Publicado em Uma abelha ferro(o)u minha campainha em outubro de 2009
Mas vou tentar mais uma vez: Linguística Aplicada é uma ciência, uma área do conhecimento voltada para questões de usos da língua,
Por ser transdisciplinar e dialogar com áreas como Filosofia, Antropologia e Sociologia, as pesquisas levam em consideração aspectos culturais e diferenças sociais relacionadas ao uso da linguagem nos seus contextos. O contexto seria, então, o espaço em que certas práticas sociais são realizadas. Está diretamente relacionado às variáveis: quem participa da interação, quem produz, a quem a comunicação é direcionada, como á mensagem é organizada para estabelecer a comunicação de forma eficaz e quais significados estão sendo compartilhados.
Será que deu para criar um quadro geral?
obs: Publicado em Uma abelha ferro(o)u minha campainha em outubro de 2009
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Declaração de Intenções
Este blog é resultado de uma série de debates em torno de Educação , realizadas nas aulas de mestrado em Linguística Aplicada. Ele surgiu de um questionamento um tanto incômodo: qual é o papel da ciência e do jornalismo na divulgação, promoção e mediação de conhecimento? Como boa jornalista récem-formada, acabei achando que deveria haver um espaço fora das salas de aula para que linguistas, professores, educadores discutissem e procurassem informações, relatos, textos acadêmicos e links relacionados aos temas discutidos em (e sobre) sala de aula. Além disso, acho que algumas informações e discussões encenadas no meio acadêmico deveriam estar mais diponíveis para o maior número de pessoas possível, fazendo com a discussão chega-se e atingisse outros âmbitos.
Os post pretendem, portanto, apresentar textos teóricos, experiências e visões de educação. Toda e qualquer contibuição para o diálogo é importantíssima: estão todos convidados a assumir um posicionamento, defender pontos de vista. Fiquem à vontade, a sala é de vocês.
Os post pretendem, portanto, apresentar textos teóricos, experiências e visões de educação. Toda e qualquer contibuição para o diálogo é importantíssima: estão todos convidados a assumir um posicionamento, defender pontos de vista. Fiquem à vontade, a sala é de vocês.
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