Parece ser uma tendência entre as universidades estrangeiras permitir o acesso, via internet, à conteúdos de sala de aula, palestras, discussões. Segundo o New York Times, a primeira a publicar os vídeos e aúdios foi a Massachusets Institute of Technology. Apesar de ter acesso, na maioria das vezes os internautas não recebem certificado por participação nos cursos.
Depois da iniciativa do MIT, surgiu um consórcio, o OpenCourseWare Consortium, para estimular outras universidades a fazer o mesmo. Cada uma pode escolher o conteúdo e as áreas privilegiadas (astrologia, estudos de gênero, psicologia ou artes).
Enquanto algumas faculdades permitem o acesso ao conteúdo por meio do próprio site, outra fonte possível é o portal do youtube,youtube.com/edu carregado com vídeos de Stamford e Cambridge, por exemplo.
No Brasil, a primeira a participar foi a Fundação Getúlio Vargas, com assuntos voltados para gestão empresarial e metodologia, além de capacitação de professores. Caso o aluno queira um certificado de conclusão de curso, é possível realizar uma prova.
obs: A informação foi dada pela Folha de São Paulo dessa quarta-feira, com texto baseado em informações do New York Times.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Primeiros Contatos com Paulo Freire: a Biografia
Paulo Freire talvez seja um desses nomes acadêmicos que povoam o imaginário brasileiro, mas as pessoas não necessariamente sabem o por quê. Resolvi ler, então, a biografia do professor de português, alfabetizador (ou letrador?), escrita por sua segunda esposa, Ana Maria Araújo Freire.
À parte do tom de intimidade entre escritor e objeto de escrita, demonstrando a admiração deslavada entre os amantes, o livro parece um convite à desvendar a história de vida, a formação de um dos maiores educadores do país. O primeiro capítulo traz um breve histórico escolar de Paulo Freire como aluno. É interessante notar que algumas das dificuldades passadas por sua família acabam formatando o seu futuro, já que desde cedo Paulo mostra sua paixão pelos estudos e conhece a família Araújo, para quem passa a trabalhar como professor após o fim da escola.
No entanto, é no segundo capítulo que percebemos os embriões da pedagogia crítica, do desenho de uma teoria/metodologia de educação voltada para toda a família, não só o aluno, e seu viés de esquerda. A intenção das cartas de orientação pedagógica escritas para o Sesi era demonstrar o papel da escola de educar, questionar, engajar pais e familiares nas questões do ambiente escolar (como o que ensinar ou a distribuição de merendas) ou do ambiente familiar (como incentivar seu filho a estudar, como castigá-lo sem violência). Foi após essas cartas, com forte orientação para desalienação social da classes populares, que Paulo Freire foi exilado, em meio à Ditadura Militar.
Talvez esse seja um dos fatos que ofuscou a importância do educador, já que com isso suas teorias e trabalhos acabaram sendo mais divulgados no exterior do que no seu próprio país. Aparentemente (e essa é uma observação impressionística), há um esforço recente de trazer a tona o legado acadêmico de Paulo Freire, uma tentativa de fazer juz ao seu trabalho e repensá-lo, a luz de novas teorias e de novos arranjos sociais no pós-ditadura.
Referências:
Freire, Ana Maria Araújo. 2006. Paulo Freire- Uma História de Vida. Indaiatuba, SP: Villa das Letras.
À parte do tom de intimidade entre escritor e objeto de escrita, demonstrando a admiração deslavada entre os amantes, o livro parece um convite à desvendar a história de vida, a formação de um dos maiores educadores do país. O primeiro capítulo traz um breve histórico escolar de Paulo Freire como aluno. É interessante notar que algumas das dificuldades passadas por sua família acabam formatando o seu futuro, já que desde cedo Paulo mostra sua paixão pelos estudos e conhece a família Araújo, para quem passa a trabalhar como professor após o fim da escola.
No entanto, é no segundo capítulo que percebemos os embriões da pedagogia crítica, do desenho de uma teoria/metodologia de educação voltada para toda a família, não só o aluno, e seu viés de esquerda. A intenção das cartas de orientação pedagógica escritas para o Sesi era demonstrar o papel da escola de educar, questionar, engajar pais e familiares nas questões do ambiente escolar (como o que ensinar ou a distribuição de merendas) ou do ambiente familiar (como incentivar seu filho a estudar, como castigá-lo sem violência). Foi após essas cartas, com forte orientação para desalienação social da classes populares, que Paulo Freire foi exilado, em meio à Ditadura Militar.
Talvez esse seja um dos fatos que ofuscou a importância do educador, já que com isso suas teorias e trabalhos acabaram sendo mais divulgados no exterior do que no seu próprio país. Aparentemente (e essa é uma observação impressionística), há um esforço recente de trazer a tona o legado acadêmico de Paulo Freire, uma tentativa de fazer juz ao seu trabalho e repensá-lo, a luz de novas teorias e de novos arranjos sociais no pós-ditadura.
Referências:
Freire, Ana Maria Araújo. 2006. Paulo Freire- Uma História de Vida. Indaiatuba, SP: Villa das Letras.
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linguistica aplicada
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Não fui abandonado!
Gente, só para registrar, eu não abandonei o blog. Férias, final de ano, vida agitada dá nessas coisas. Nos vemos em 2010!! Com mais textos, entrevistas e pautas diferenciadas!
beijo grande! inté!
beijo grande! inté!
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Dicas de leitura organizada por idade podem auxiliar professor e pais
Existe sempre uma dúvida no ar quando pais levam seus filhos para comprar um livro em alguma livraria ou professores fazem planejamento de aula para o próximo ano. Vai então uma dica: A Fundação Victor Civita, vinculada a Editora Abril, tem várias iniciativas voltadas para Educação, entre elas dicas de livros que podem ser lidos por crianças e jovens de 02 a 18 anos, publicadas no site do projeto "Educar para crescer". O projeto engloba diversas atividades, como o desenvolvimento de blogs, material didático e textos sobre aprendizagem e leitura com orientãções para os pais.
Ainda não dei uma lida no material que me mandaram, mas estou divulgando o site porque existe a possibilidade de alguém fazer bom uso dessas informações. Para quem não sabe, a editora Abril é responsável pela publicação da revista Nova Escola. Outra possível fonte, que eu também não cheguei a ver ainda.
Se mais alguém souber de alguma coisa legal, é só mandar...
ps: Lulu, querida, obrigada pela dica!
Ainda não dei uma lida no material que me mandaram, mas estou divulgando o site porque existe a possibilidade de alguém fazer bom uso dessas informações. Para quem não sabe, a editora Abril é responsável pela publicação da revista Nova Escola. Outra possível fonte, que eu também não cheguei a ver ainda.
Se mais alguém souber de alguma coisa legal, é só mandar...
ps: Lulu, querida, obrigada pela dica!
domingo, 6 de dezembro de 2009
Mais notícias!
Ministério da Educação manda projeto para o Congresso para alterar a legislação, estabelecendo idade máxima em 6 anos para a criança entrar na escola pública ou particular no primeiro ano do ensino fundamental. Atualmente, cada Conselho Estadual de Educação é responsável por fixar essa idade. O problema apresentado pela matéria é que muitos alunos, com a mudança do sistema (1a a 8a série para 1 a 9 ano), devem acabar o ensino fundamental aos 15 anos.
Embora a resolução possa representar uma mudança para muitos alunos, não sei se ela seria significativa. Não consigo enxergar como a medida seria um problema, propriamente dito. (Se alguém conseguir, por favor me explique). Se for meramente uma questão de idade, talvez seja melhor que os alunos cheguem mais maduros ao ensino médio, tendo mais tempo para pensar sobre carreiras e profissões possíveis. Em termos práticos, em nada vai alterar a vida da classe média ou alta. Talvez interfira nas classes sociais mais desfarovecidas, afinal, a previsão é que o aluno passe um ano a mais estudando ao invés de trabalhar período integral e contribuir para as finanças da família. E essa foi a única implicação possível dessa medida em que eu consegui pensar. Alguém consegue pensar em mais alguma?? Algum comentário??
Embora a resolução possa representar uma mudança para muitos alunos, não sei se ela seria significativa. Não consigo enxergar como a medida seria um problema, propriamente dito. (Se alguém conseguir, por favor me explique). Se for meramente uma questão de idade, talvez seja melhor que os alunos cheguem mais maduros ao ensino médio, tendo mais tempo para pensar sobre carreiras e profissões possíveis. Em termos práticos, em nada vai alterar a vida da classe média ou alta. Talvez interfira nas classes sociais mais desfarovecidas, afinal, a previsão é que o aluno passe um ano a mais estudando ao invés de trabalhar período integral e contribuir para as finanças da família. E essa foi a única implicação possível dessa medida em que eu consegui pensar. Alguém consegue pensar em mais alguma?? Algum comentário??
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Sobre a possibilidade de fechamento da melhor escola pública, de acordo com Saresp 2008
Estava calmamente lendo a Folha, quando surgiu uma notícia completamente ilógica na minha frente: a escola estadual de ensino médio que conseguiu melhor nota no Saresp em 2008 está para ser fechada pelo próprio governo paulista, por falta de alunos. Localizada no Butantã, a escola estadual Alberto Torres não deve oferecer aulas em 2010, sendo assim a recomendação é que pais e alunos procurem outra escola na região.
Em outubro, pais, alunos, professores e funcionários foram convocados para uma reunião pela vice-diretora, Eunice Ramos, e um representante da Diretoria de Ensino da Região Centro-Oeste, na qual foram informados da decisão de fechamento da escola.
O jornal relata que, segundo a Secretaria da Educação do Estado, a decisão de fechamento da unidade cabe a Paulo Renato, secretário da educação, e nada está decidido ainda. Os gastos com a unidade estão sendo analisados, já que houve uma queda de 73% no número de alunos matriculados desde 2005 e há salas vazias. Segundo a reportagem, a vice-diretora Eunice Ramos não foi orientada a fazer nenhuma reunião para anunciar o fechamento do colégio.
Mais uma vez, a discussão gira em torno do aspecto mercantil da educação e em nenhum momento se questionou a razão da escola ser considerada a melhor no Saresp ou se este não seria um motivo central para manutenção do colégio. Um dos fatores que pode contribuir para a qualidade do ensino é a quantidade de alunos em sala de aula. Com classes menores, os professores podem dar uma atenção mais dirigida a cada aluno, criando uma relação mais próxima e até mesmo afetiva. Além da possibilidade dos professores terem tempo para buscar cursos de formação continuada, mestrado ou doutorado e elaborarem melhor as aulas, tendo em vista que a demanda pelo trabalho fora da sala de aula (corrigir provas e trabalhos, por exemplo) diminuiu nos últimos anos.
Talvez existam mais fatores envolvidos, mas por enquanto não consegui pensar em nenhum. Se alguém quiser expôr seus pontos de vista, é só postar um comentário ou mandar e-mail.
Em outubro, pais, alunos, professores e funcionários foram convocados para uma reunião pela vice-diretora, Eunice Ramos, e um representante da Diretoria de Ensino da Região Centro-Oeste, na qual foram informados da decisão de fechamento da escola.
O jornal relata que, segundo a Secretaria da Educação do Estado, a decisão de fechamento da unidade cabe a Paulo Renato, secretário da educação, e nada está decidido ainda. Os gastos com a unidade estão sendo analisados, já que houve uma queda de 73% no número de alunos matriculados desde 2005 e há salas vazias. Segundo a reportagem, a vice-diretora Eunice Ramos não foi orientada a fazer nenhuma reunião para anunciar o fechamento do colégio.
Mais uma vez, a discussão gira em torno do aspecto mercantil da educação e em nenhum momento se questionou a razão da escola ser considerada a melhor no Saresp ou se este não seria um motivo central para manutenção do colégio. Um dos fatores que pode contribuir para a qualidade do ensino é a quantidade de alunos em sala de aula. Com classes menores, os professores podem dar uma atenção mais dirigida a cada aluno, criando uma relação mais próxima e até mesmo afetiva. Além da possibilidade dos professores terem tempo para buscar cursos de formação continuada, mestrado ou doutorado e elaborarem melhor as aulas, tendo em vista que a demanda pelo trabalho fora da sala de aula (corrigir provas e trabalhos, por exemplo) diminuiu nos últimos anos.
Talvez existam mais fatores envolvidos, mas por enquanto não consegui pensar em nenhum. Se alguém quiser expôr seus pontos de vista, é só postar um comentário ou mandar e-mail.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
As Polêmicas Aulas de Religião
Uma das coisas mais cafonas da PUC é que existem aulas de religião. Confesso que tenho um senão com aulas que envolvam a temática religiosa, mas simplesmente porque acho que muita gente não sabe a distinção entre aula e pregação. Tive um ano dessas aulas: um semestre com um professor, que foi praticamente exorcizado do Jornalismo depois que passou pela nossa sala, e no segundo semestre outro.
Um das polêmicas com a aula é que faz muito tempo que a PUC é frequentada por católicos, agnósticos, ateus, judeus, umbandistas, presbiterianos e evangélicos. Tem até Bola de Neve. Enquanto a temática religiosa está restrita ao âmbito filosófico, tudo flui bem e certas questões parecem bem interessantes. Mas vai sempre depender da abordagem dada pelo professor.
O tal do professor de primeiro semestre resolveu ensinar o que era a religião católica e defender os preceitos das encíclicas, dos discursos papais. Muito retrógrado!O livro dele servia de base para discussão, mas ele insistia em tratar de temas polêmicos como aborto, uso de camisinhas e anticoncepcionais e etc. Sempre tentando cooptar pessoas a acreditar, ou pelo menos comprar, a argumentação do catolicismo. Uma vez ele até falou que aspessoas não deveriam usar camisinha ou qualquer outro método anticoncepcional porque isso ia contra as leis divinas. Os jornalistas cri-cris que estavam na sala estavam sempre caindo de pau em tudo o que o professor falava (eu era uma delas) e, depois de muita luta verbal, ele resolveu que era melhor mudar de curso. Fazia sentido...
No segundo semestre, o professor tratou de temas como: a orientalização da crença, mélange e sincretismo religioso, por quê as pessoas tem fé. Muito mais interessante, sem grandes conflitos. Metade das pessoas tinha perdido o interesse na disciplina, mas participava esporadicamente da aula. A outra metade nunca fez esforço nenhum para participar e resolveu que era melhor se concentrar em conseguir nota no trabalho de fim de semestre. Acontece...
Um das polêmicas com a aula é que faz muito tempo que a PUC é frequentada por católicos, agnósticos, ateus, judeus, umbandistas, presbiterianos e evangélicos. Tem até Bola de Neve. Enquanto a temática religiosa está restrita ao âmbito filosófico, tudo flui bem e certas questões parecem bem interessantes. Mas vai sempre depender da abordagem dada pelo professor.
O tal do professor de primeiro semestre resolveu ensinar o que era a religião católica e defender os preceitos das encíclicas, dos discursos papais. Muito retrógrado!O livro dele servia de base para discussão, mas ele insistia em tratar de temas polêmicos como aborto, uso de camisinhas e anticoncepcionais e etc. Sempre tentando cooptar pessoas a acreditar, ou pelo menos comprar, a argumentação do catolicismo. Uma vez ele até falou que aspessoas não deveriam usar camisinha ou qualquer outro método anticoncepcional porque isso ia contra as leis divinas. Os jornalistas cri-cris que estavam na sala estavam sempre caindo de pau em tudo o que o professor falava (eu era uma delas) e, depois de muita luta verbal, ele resolveu que era melhor mudar de curso. Fazia sentido...
No segundo semestre, o professor tratou de temas como: a orientalização da crença, mélange e sincretismo religioso, por quê as pessoas tem fé. Muito mais interessante, sem grandes conflitos. Metade das pessoas tinha perdido o interesse na disciplina, mas participava esporadicamente da aula. A outra metade nunca fez esforço nenhum para participar e resolveu que era melhor se concentrar em conseguir nota no trabalho de fim de semestre. Acontece...
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